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O Clube do Cantinho
Título: O Clube do CantinhoData de lançamento: 31 de Outubro de 2007 Formato: 145 x 210 mm Páginas: 60 Imagens: 6 Edição: Centro Cultural e Recreativo do Cantinho Tema: História desta Associação, fundada em 1976. Índice Nota do Autor A Fundação Os Sócios Os Estatutos As Direcções e Comissões O Bar A Equipa de Futebol Nota do Autor Sou um dos muitos fundadores do Clube do Cantinho, que, em 1975/76, andou de “pá e pica” a abrir fundações e a ajudar a construir a obra, por isso tenho algum carinho por esta colectividade. Fui o primeiro presidente da direcção eleito e participei em vários cargos dos órgãos sociais. Presentemente, sou presidente da Mesa da Assembleia Geral. Na data da fundação, foi construído um local único para convívio nesta zona da freguesia. Actualmente, ainda não existe outro que o venha substituir ou melhorar. Na Assembleia de 9 de Maio de 2007, foi eleito para Presidente da Comissão de Gestão António Alberto Nascimento Leonardo, conhecido de todos por António de São Jorge. Começou o seu mandato com algum entusiasmo, nomeadamente de melhorar as instalações e organizar os registos dos sócios. Manifestou-me o desejo de reunir em confraternização todos os associados da colectividade. Para isso, gostaria de que fosse numa data de algum significado. Após algumas trocas de impressões, eu disse-lhe que tinha já preparado para a “História de São Mateus” alguns dados sobre o clube, que poderiam ser desenvolvidos como forma de fazer uma “História do Clube do Cantinho”. Nesses dados está a data da primeira Assembleia Geral de sócios – 31 de Outubro de 1976 –, como dia da fundação. Será, então, neste dia de 2007, que o António de São Jorge, com os seus companheiros da Comissão de Gestão, pensa juntar os sócios. Quanto à história do clube, desenvolvi os dados que já possuía, como forma de elaborar esta publicação. Serviram de fontes o livro de registo de pagamento de quotas dos sócios e o livro de Actas. O primeiro tem os registos iniciais de 1978 e os últimos de 2007, com alguma desorganização pelo meio. O segundo tem as actas de 31 de Outubro de 1976 a 9 de Maio de 2007. Este trabalho também serviu de ajuda para a organização do registo dos sócios. Gostaria de deixar aqui alguns dos números interessantes desta publicação: - Caracteres informáticos (letras?) 42.862 - Tamanho do Ficheiro s/fotos 113 KB - Tempo de leitura 160 minutos - Tempo de escrita 1110 minutos - Tempo total de trabalho 21 horas Casa da Terra Alta, ao lado do Clube do Cantinho, 24 de Julho de 2007. Liduino Borba João Ângelo – O Mestre das Cantorias
Título: João Ângelo – O Mestre das CantoriasData de lançamento: 3 de Abril de 2008 Formato: 170 x 240 mm Páginas: 320 Imagens: 136 Edição: BLU Edições Tema: Biografia do improvisador da ilha Terceira, conhecido por Ti João das Velhas. Índice 01 O Homem 02 A Casa 03 A Família 04 A Vida Profissional 05 As Cantigas de Improviso 06 As Velhas 07 Escritos 08 Os Companheiros de Coreto 09 As Viagens 10 Homenagens 11 Participação Política e Cívica 12 Edições e Comunicação Social 13 Correspondência 14 Os Amores de João 15 Frases Interessantes 16 Depoimentos 17 Curiosidades Notas do Autor No dia 3 de Outubro de 2006 fui, na companhia de minha mulher, almoçar com o Mário Duarte, das Edições BLU, ao Restaurante o Pescador. Os assuntos a tratar prendiam-se com o orçamento para o livro “História de São Mateus”, e com o provável lançamento de um livro com recolha de “Velhas”. No seguimento da conversa, que correu muito bem, o Mário Duarte lançou-me o desafio de escrever um livro sobre a vida do improvisador terceirense, de São Bartolomeu, João Ângelo, mais conhecido por Ti João das Velhas. A minha primeira reacção foi de rejeição, porque tinha entre mãos três trabalhos, – “História de São Mateus”, “500 Velhas” e “A História dos Contentes em São Mateus” – que consomem todas as horas vagas da minha vida profissional. Repensei e aceitei o desafio. A vida de João Ângelo era um tema que já me tinha passado pela cabeça, mas não tinha passado disso mesmo. No dia 9 de Outubro, pelas oito da noite, cheguei a casa para jantar, peguei no telefone e liguei o 295 331 180. Atendeu-me o senhor João Ângelo. Depois dos habituais cumprimentos disse-lhe que precisava falar com ele, se tinha tempo para isso. Perguntou-me se não era assunto para resolver pelo telefone ao que respondi afirmativamente. Apresentei-lhe a ideia do livro, o que não o entusiasmou muito, mas deixou a “porta aberta” para uma conversa, a qual foi iniciada três quartos de hora mais tarde e durou cerca de duas horas. Falou-se de tudo e mesmo reafirmando várias vezes que não tinha interesse nenhum no livro predispôs-se a colaborar. Embora não fosse um íntimo amigo do João Ângelo, já tinha falado com ele algumas vezes, visto ser um conversador nato, nomeadamente em casa do seu vizinho e meu amigo Aníbal Santos. Combinámos voltar a falar dali a um mês, atendendo a que estava na época da colheita dos milhos, e tinha uma deslocação ao Canadá, já marcada. A 18 de Dezembro de 2006, retomámos a nossa conversa. Estava uma noite chuvosa de Inverno e tinha faltado a luz. Quando cheguei a casa de João Ângelo eram já oito e meia da noite. Uma luz de petróleo, grande e jeitosa, e um foco iluminavam a sala (ou meio da casa) onde a nossa amistosa conversa se desenrolou. Passados uns 15 minutos a luz chegou e tudo ficou claro. A TV acendeu-se e lá continuou até ao fim da nossa conversa, só que com o som mais baixo. Sentei-me na sala, numa cadeira forrada a cabedal com outra igual à minha frente a servir de secretária e o João Ângelo à minha esquerda num maple. Desenrolamos a conversa. Foi-me mostrando os livros de que me tinha falado na última conversa: “Em busca de um sonho”, “Este livro que vos deixo…”, “Cantadores e Improvisadores da Ilha Terceira”, “João Vital Poeta de todas as luas”, “Filósofos da Rua”, “Levei a vida a cantar”, “Da Terceira Cantadores”, “Improvisadores da Ilha Terceira”, e “Versos…”. Emprestou-me alguns desses livros e duas fotos de família para serem digitalizadas. A conversa foi muito agradável e acabou por volta da meia-noite. Antes de sair, o Galo do João Ângelo já cantava cá fora. De 19 de Janeiro a 5 de Março de 2007, conversámos dez noites, sempre mais ou menos entre as oito e meia e a meia-noite. Fomos vendo documentos, fotografias e lembrando o que escrevera ou os lugares por onde passara. Havia mais documentos do que se pensava inicialmente. Foram conversas francas e abertas e, muitas vezes, rimos de boa vontade. De 21 a 30 de Março, arranjámos mais cinco noites para corrigir o texto e rever as fotos do livro. Tudo correu bem e só foram feitas correcções de pouca importância, ou alguns erros de interpretação. Foi um trabalho muito interessante de realizar. Exigiu algum esforço pessoal, mas teve a compensação de ter ouvido palavras sábias de um homem popular, que prima pela verdade. Além disto, é poder ficar para a posteridade um documento único do maior poeta popular dos Açores, dos nossos tempos. Se falarmos nas “Velhas”, podemos afirmar que é mesmo um caso único. Gostaria de deixar aqui os meus agradecimentos a todos quantos colaboraram neste trabalho. Não menciono os nomes, porque ao esquecer-me de algum estaria a ser injusto. Sem eles, o resultado era “coxo”. Também ao João Ângelo, que a partir das nossas primeiras conversas, percebeu a importância deste trabalho e não poupou esforços para que ele ficasse correcto e verdadeiro. Tenho mais um amigo. Este trabalho tem alguns números interessantes, que gostaria de aqui deixar: - Caracteres informáticos (letras?) 281.774 - Tamanho do Ficheiro informático com fotos 824 MB - Tamanho do Ficheiro informático sem fotos 1,23 MB - 5 Impressões em formato A4 1.167 páginas - Telefonemas efectuados 32 - Tempo de conversação 3.310 minutos - Tempo de leitura 510 minutos - Tempo de escrita 12.480 minutos - Tempo de Internet 30 minutos - Tempo de Biblioteca 180 minutos - Fotocópias 273 - Tempo total de trabalho 306 horas Casa da Terra Alta, 31 de Março de 2007. Liduino Borba O Biografado João Ângelo de Oliveira Vieira, solteiro, nasceu em 24 de Junho de 1935, dia de São João, na freguesia de São Bartolomeu de Regatos, concelho de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores. Viveu sempre no seio da sua família, ligado à lavoura, única profissão que conheceu até aos dias que correm. Vive na casa da família, na zona dos Regatos, na Canada do João Ângelo, nome atribuído, em 1992, pela edilidade angrense, em homenagem ao cantador. Em 1953, com 18 anos, começou a cantar de improviso, com uns rapazes da sua idade e vizinhos, perto do lugar que sempre morou. Depois continuou até por volta de 1960, data em que fez um interregno de cerca de 7 anos. Em 1968, subia aos palcos, em São Mateus, para além da cantoria, com as suas famosas “Velhas” em companhia do saudoso “Tio Doninha”. Foi um nunca mais parar. Em 1973, fez a sua primeira viagem à América, como visitante, onde trabalhou e cantou. Os seus créditos firmados nas terras da emigração, nomeadamente na Califórnia, têm valido mais de trinta deslocações à América, Canadá e Brasil. As deslocações a outras ilhas dos Açores são em tão grande número que já lhe perdeu a conta. Já foi homenageado várias vezes, quer por companheiros das cantigas, quer por entidades oficiais. Para além das cantigas, também deixa vários escritos em verso, uma participação política e cívica e uma estima respeitável entre os colegas de coreto. João Ângelo é duma seriedade extrema, cumpridor dos seus contratos, humilde nos seus actos, improvisador com um sentido de humor acima dos outros, nomeadamente nas “Velhas” dos últimos 40 anos, mas decidido nas suas convicções. Nota Introdutória Liduino Borba – profissional disperso em múltiplos ramos do comércio, cronista de pessoas, tempos e lugares –, apresentou-me o texto deste livro para que escrevesse palavras a jeito de aliciar eventuais leitores. Aceitei o convite, não para cumprir o desidério do autor (aliás, desnecessário), mas por razões muito pessoais: é que se trata de um texto que biografa um dos poetas-improvisadores mais apaixonantes que me foi dado conhecer e com quem tenho tido o privilégio de conviver algumas vezes. Para mim, João Ângelo é um espanto lúdico, uma espécie de prazer convertido em poesia, um malabarista dos sentimentos e, sobretudo, o portador duma genuinidade cultural que carrega saberes responsáveis pela sua lírica filosofia de vida e pela linearidade do seu quotidiano. João Ângelo – Mestre das Cantorias é o retrato a corpo inteiro de um talento imensurável em fusão delicada com uma ruralidade profunda e bela. É um título bem achado para a vida de um poeta que conhece a alma das palavras; que verseja com sonoridade pastoril como se a rima fosse jacto de leite batendo no tarro; que constrói a quadra sob o ritmo do bailado sensual do gado em movimento, tornando a cantoria na paisagem verde de todas as emoções. No entanto, atrás desta serenidade bucólica, João Ângelo olha o Mundo com a perspicácia do filósofo e assimila-o nas suas grandezas e misérias, nos seus anjos e demónios – herdeiro vicentino de um trovar de amigo e de escárnio, tudo sob um humor fino e fulgurante. Porém, quanto possa dizer-se sobre João Ângelo será sempre uma viagem ao contrário, uma não chegada à essência do verbo. Ele não parece ser definível. Ou melhor: é enformado por uma pluralidade de qualidades que se aglutina em incomparável e inimitável singularidade. Releva-se a sua simplicidade sedutora, que o superioriza sem que ele disso se aperceba. Parafraseando Pessoa: ser simples é uma forma de ser superior, seja qual for o ângulo de visão. Depois, não se lhe conhece outra referência que não a da bondade – uma súmula da bondade –, a qual floresce nos seus olhos pequeninos e brilha tanto como uma seara de estrelas. É curioso verificar como Liduino Borba tenta distanciar-se, narrativamente, de João Ângelo sem que, de forma alguma, o consiga. Sempre que o faz, deixa-se encantar por tanto saber contido; pela beleza transparente de cada verso; pela partilha bucólica do quotidiano; pela naturalidade com que se deixa ver por dentro; pelo desassombro consciente com que dá «os nomes aos bois»; pela forma como a sua individualidade o torna universal, à conta da escolaridade de uma vida que se sobrepõe, em sabedoria, à de qualquer ensino superior. Leia-se, por exemplo, o capítulo «frases interessantes» que, na sua displicência, carrega o peso de um saber tão claro como água do chafariz. Neste livro, é possível conhecer João Ângelo na pluridimensionalidade do entendimento dele próprio e do Mundo, tornando-se, naturalmente, pastor de sucessivos rebanhos de gente, dando-lhes a saborear as suas férteis pastagens de versos. Raminho, Maio/07 Álamo Oliveira (Liduino Borba no dia da apresentação em Angra do Heroísmo) Senhoras e senhores, boas noites É com imensa alegria que aqui estou, depois de ouvir palavras elogiosas dos oradores precedentes. A todos, muito obrigado. Este trabalho só foi possível porque se juntaram quatro vontades: a do Mário Duarte, da Editora BLU, que me convidou a compilar esta obra; a do Ti João Ângelo, que colaborou, em cerca de 15 noites, da melhor forma para a recolha de toda a gravação, documentação, fotos, recordações e outros; eu, que tirei seis meses de serões para escrever e juntar o que viria a ser o livro; por fim, o público, os leitores, a quem se destina o resultado desses esforços, mas que seria trabalho em vão se o produto não tivesse qualidade. Este livro será um marco para os improvisadores em geral, por ser o primeiro elaborado com algum pormenor e com várias fotografias sobre o biografado, No entanto, não é o único nos últimos 30 anos sobre a temática do improviso, ou dos seus autores. Gostaria de referir outros trabalhos, como: Olga Machado – “Improvisadores e Cantadores ao Desafio”, Colecção Ínsula, IAC, 1998. Belarmino Ramos “Silveirinha, Fazedor de Versos e de Amigos”, Edição do autor, 1989. “João Vital Poeta de todas as Luas”, Edição da Junta de Freguesia de São Bento, Impresso na União Gráfica Angrense, Outubro de 1993. J. H. Borges Martins: “Cantadores e Improvisadores da Ilha Terceira (sécs. XIX e XX)”, Edição da DRAC/SREC 1980. “Da Terceira Cantadores”, Edição da DRAC/SREC 1984. “Improvisadores da Ilha Terceira (suas Vidas e Cantorias)”, Edição da DRAC/SREC 1989. “As Velhas”, Edições BLU 1996. Daniel Arruda – “Em Busca de Um Sonho”, Edição do Autor, sem data (década de 90?), impresso na Califórnia. Para além destes, existem vários prospectos, folhetos e brochuras que há vários anos vêm sendo editados. Um outro livro relacionado com a temática será lançado, provavelmente pelas Sanjoaninas, pelo seu autor Mário Pereira da Costa, que trata a vida e obra dos dois mestres do improviso terceirense: o Charrua e a Turlu. O autor, radicado na Costa Leste dos EUA, é casado com uma sobrinha da Turlu, a quem o Charrua pedira que, depois da morte deles, ficasse registado em livro a sua história de amor. Estas publicações e este entusiasmo leva-nos a pensar que a nossa cultura popular merece e tem tido tratamento digno. Em relação ao Ti João Ângelo, está quase tudo dito no livro, mas é de reafirmar que é um homem íntegro, com quem se fala muito bem de tudo e de todos, (mas nunca mal de ninguém) que canta improviso como os melhores, mas não lhe peçam discursos porque poderão receber como resposta: “Isso é muita sevandilha, muito cacão… João Ângelo, durante o Pezinho das últimas Sanjoaninas, segundo recolha da minha amiga Luiza Figo, fez duas quadras: uma ao presidente das festas: “O cargo de presidente É um cargo infeliz Diz coisinhas que não sente Sente coisas que não diz.” Outra ao Paulo Borges, então presidente do Lusitânia, à porta da Casa de Violante, na Rua da Sé: “O Paulo tem trabalhado Para que este Clube engrosse Mas mais parece um cerrado Que a junça tomou posse.” Para o Ti João Ângelo, o meu abraço. É muito bom ter um amigo destes… Ao presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu deixo um desafio: convencer o Ti João a deixar, ao Museu de São Bartolomeu, o rico e variado espólio que tem em casa, que vai muito para além do que está transcrito no livro. Não será difícil se o Núcleo Museológico preparar um espaço expositor próprio para tal. Por fim, agradecer à edilidade angrense, na pessoa do seu presidente, a organização de parte deste evento, e também à Culturangra, na pessoa do seu representante que coordena essa equipa incansável. Ao Mário Duarte, o meu obrigado por ter acreditado nas palavras que escrevi, com a certeza de que mais de metade dos 1000 exemplares editados já estão vendidos. Ao Luís Bretão, exemplo de força de viver e tenaz defensor da cultura popular, o meu grande abraço de agradecimento. A todos, o meu sincero obrigado pela vossa presença, esperando que não se sintam defraudados com a leitura do livro. Para terminar, um público reconhecimento pela ajuda da minha amiga Maria Luiza Figo e pelo apoio da minha mulher Angelina. Angra, 3 de Abril de 2008 João Ângelo, mestre de cantorias e lavrador de palavras “Não tenho recheio que dê para fazer um livro” – disse João Ângelo a Liduino Borba quando este se dispunha a escrever uma obra lançando olhares aos 72 anos de vida vivida daquele poeta popular. A modéstia tem destas coisas e João Ângelo enganou-se redondamente. É que o “recheio” dele dá para várias teses de doutoramento. Para já, deu para as 320 páginas deste João Ângelo – o Mestre das Cantorias (BLU Edições, 2008), de Liduino Borba, livro que se apresenta com esmerada qualidade gráfica. A obra, resultado das 15 noites em que Liduino Borba esteve à conversa com João Ângelo, inclui documentos, fotografias, recordações, escritos, ditos, cantorias e muitas “Velhas” do conhecido cantador popular. Todos o sabem e ninguém ousa refutar: João Ângelo é, actualmente, o maior poeta popular dos Açores. Homem sábio e sério, íntegro e bondoso, com uma capacidade de improviso e um sentido de humor sui generis, este terceirense é herdeiro de uma tradição poética e musical que remonta aos cantares de gesta medievais (cantigas de amigo e cantigas de escárnio e mal dizer) e é um testemunho vivo da agudeza de espírito, do humor sagaz e da capacidade de ironia e de sarcasmo. Foi na escola (dura) da vida que João Ângelo aperfeiçoou as técnicas do seu improviso. O curriculum académico nada tem a ver com a capacidade de versejar. Estamos a falar de um dom inato. Por isso a grandeza desta arte está na sua espontânea e efémera força criativa. As cantorias são autênticas disputas poéticas em que os improvisadores, cantando ao som estimulante da viola da terra e do violão, se degladiam usando como única arma ofensiva a redondilha maior e a sextilha (esta quase sempre utilizada para rematar a cantoria). Em arraiais e folias, no terreiro ou nos palcos, em lugares públicos ou privados, espalham os seus méritos repentistas, dando brilho aos festejos. As suas quadras caem facilmente no domínio popular, o que vem provar que a oralidade foi sempre uma característica fundamental da cultura açoriana. Ouvir uma cantoria deve constituir, por isso mesmo, um acto de cultura. E isto porque os poetas populares, regra geral, improvisam quadras que são técnica e literariamente perfeitas. João Ângelo vai mais longe: é capaz de improvisar humor nos dois tercetos e na quadra de uma “Velha” – tarefa nada fácil e que não está ao alcance de todos. De resto, “deitar cantigas” é sempre o pretexto para se comentar os mais diversos assuntos mundanos, divagar sobre episódios da vida quotidiana e encetar um saudável exercício de crítica social. E o povo acorre a esses “desafios”, animados do mesmo espírito com que enche estádios de futebol. Todos querem saber qual dos opositores irá “ganhar”. Cantar ao desafio é, por assim dizer, uma “luta” que forçosamente terá que conduzir à vitória de um dos participantes e à derrota do outro. E quando, nesse combate, os adversários “se encostam um ao outro”, é mais do que certo que o público fique decepcionado. Nanja o João Ângelo que, dotado de uma espantosa lucidez, nunca deixa os seus créditos por mãos alheias. Em boa hora, Liduino Borba registou, por escrito, aquilo que é efectivamente do domínio do efémero. Trabalho de muito mérito. Quero, pois, saudar este historiador local que, prosseguindo caminhos abertos por outros estudiosos terceirenses na área da cultura popular (Gervásio Lima, Luís da Silva Ribeiro, João Ilhéu, J.H. Borges Martins, entre outros), nos dá um valiosíssimo contributo sobre o conhecimento de um poeta que vale por toda uma literatura. Porque em tempo de globalização e de massificação, é importante preservar a nossa memória colectiva de povo ilhéu. João Ângelo – o Mestre das Cantorias não é apenas um livro que nos faz rir e pensar. É acima de tudo um tratado sobre a sabedoria popular. Horta, 19 de Abril de 2008 Victor Rui Dores (Liduino Borba na apresentação em Pawtucket) Senhoras e senhores, boas noites É com imensa alegria que aqui estou, junto desta nossa maravilhosa comunidade que sabe honrar as nossas tradições, localidade onde foi tirada a fotografia que serviu de capa ao livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias. A todos, muito obrigado, em especial ao Sr. Victor Santos, que continua a dar voz a um grande grupo de pessoas associadas ao Grupo de Amigos da Terceira, conhecido nos cinco cantos do mundo. Que a força não vos falte, porque os homens morrem mas as obras ficam. O livro, intitulado “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, com 320 páginas e mais de 100 fotos, que vai na 2.ª edição de 1000 exemplares, a 1.ª esgotou-se em 15 dias, só foi possível porque se juntaram quatro vontades: a do Mário Duarte, da Editora BLU, que me convidou a escrevê-lo; a do Tio João Ângelo, que colaborou, em cerca de 15 noites, da melhor forma para a recolha de toda a gravação, documentação, fotos, recordações e outros; eu, que tirei seis meses de serões para escrever e juntar o que viria a ser o livro; por fim, o público, os leitores, a quem se destina o resultado desses esforços, mas que seria trabalho em vão se o produto não tivesse qualidade. Este livro será um marco para os improvisadores em geral, por ser o primeiro elaborado com algum pormenor e com várias fotografias sobre o biografado. No entanto, não é o único nos últimos 30 anos sobre a temática do improviso. Prova disso, é o livro “A Roseira Brava”, do nosso improvisador, aqui na diáspora, José Plácido. Por outro lado, parece que o tema despertou interesse nos intervenientes, porque, embora já planeado anteriormente, apareceu em Junho deste ano o livro com as vidas da Turlu e Charrua. Este 20.º aniversário dos Amigos da Terceira está recheado de eventos ligados ao improviso, mas destaco três: O lançamento do meu livro “João Ângelo – O mestre das Cantorias”, aqui e agora; De seguida, o lançamento do livro de José Plácido intitulado “A Roseira Brava”, apresentado por José Brites; e na segunda-feira, dia 13, o lançamento do livro do meu amigo Mário Pereira da Costa, intitulado “Turlu e Charrua – Confidências”, apresentado por Onésimo Almeida. Estas publicações e este entusiasmo leva-nos a pensar que a nossa cultura popular merece e tem tido tratamento digno. Em relação ao Ti João Ângelo, o meu biografado, está quase tudo dito no livro, mas é de reafirmar que é um homem íntegro, com quem se fala muito bem de tudo e de todos, (mas nunca mal de ninguém) que canta improviso como os melhores, mas não lhe peçam discursos. O Tio João é mais conhecido pela parte humorística que imprime aos seus versos. No entanto, tem escritos em verso de grande valor, que constam do livro, que abordam temas tão sérios como a lutas entre dois “partidos” – os Saiotas e os Terroristas – na freguesia de São Bartolomeu, entre 1961 e 1967, ou a crise sísmica de São Jorge, em 1964. A luta de São Bartolomeu é muito bem descrita em 184 quadras e 2 sextilhas, com uma particularidade de descrever muito bem as situações vividas mas não mencionar nomes de pessoas. A crise sísmica de São Jorge, em 1964, faz uma pormenorizada descrição dos acontecimentos em 75 quadras e uma sextilha de remate. Mas é a parte de humor refinado do Tio João que lhe tem acrescentado muitos créditos. Agora algumas passagens engraçadas: João Ângelo, durante o Pezinho deste ano na freguesia da Ribeirinha, na ilha Terceira, tinha à sua frente António Toste, dinâmico presidente da Junta de Freguesia e Deputado Regional, que ouviu, entre outras, a seguinte quadra: “Ter dois cargos não é um erro É marchante com duas facas Ou então é um bezerro A mamar em duas vacas”. Há dias, João Ângelo encontrou-se com o presidente da Assembleia Regional dos Açores, Dr. Fernando Meneses, por quem tem respeito, e a conversa foi caminhando para o tema do livro do tio João. O presidente elogiou a obra e a vida de João Ângelo, concluindo que nas noites que tinha tempo estava a ler o livro e já ia chegando perto do fim, ao que o tio João lhe perguntou: “E não lhe dá sono???” Entre os vários bailinhos e danças que o Tio João escreveu, há um muito engraçado, escrito por volta de 1975, para a Vila Nova, que trata dum namoro entre Rosa e Tomás, mas que se mete um Brasileiro pelo meio com a finalidade de conquistar a Rosa. O Tomás desesperado recorre a uma Benzedeira para ver se resolve o seu problema. São algumas das rimas feitas pelo Tio João para a Benzedeira que gostaria de aqui deixar, pela beleza poética que elas tem. 17 – Benzedeira Se tens fotografias Que ela te tenha oferecido Em dois ou três dias Fica tudo resolvido. 18 – Tomás Por acaso tenho duas Fotografias suas Que ele me ofereceu. Ela de mim gostava E eu nunca julgava De dar o que se deu. 19 – Benzedeira Passa com essa fotografia Pela casa que ela mora Juntamente com uma quantia Que te vou ensinar agora. 20 – Benzedeira Umas bagas de marcela Que sejam dadas no baldio Com leite de cadela Ferves tudo num bacio. 21 – Benzedeira Matas um gato preto Preto como se diz E assas num espeto Sem tapares o nariz. 22 – Benzedeira Casca de pessegueiro E musgo do calhau Urina de viteleiro Com tripas de bacalhau. 23 – Benzedeira Duas rosas do Japão Moira de azeitona Com palha de feijão E folhas de mamona. 24 – Benzedeira Um canudo duma bomba A espoleta da espingarda Barbatanas de pomba E a cilha duma albarda. 25 – Benzedeira Vais partir uma maçã Tira-lhe as pevidinhas Que ela depois de amanhã Mija-se todas às pinguinhas Nem uma burra anã Quando lhe fazem cocinhas Foi muito bom para mim ter conhecido mais de perto o Tio João, fiquei com mais um amigo. A todos, o meu sincero obrigado pela vossa presença, esperando que não se sintam defraudados com a leitura do livro. Para terminar, um público reconhecimento pela ajuda da minha amiga Maria Luiza Figo e pelo apoio da minha mulher Angelina. Pawtucket, 9 de Outubro de 2008 História de São Mateus da Calheta
Título: História de São Mateus da CalhetaData de lançamento: 13 de Setembro, EUA, e 21 Setembro de 2008 em São Mateus Formato: 245 x 328 mm Páginas: 752 Imagens: 623 Edição: BLU Edições e Junta de Freguesia de São Mateus Tema: Retrata uma das freguesias mais antigas da Terceira, desde o povoamento aos nossos dias. Índice Abreviaturas Prefácio Palavras do Presidente da Junta de Freguesia Nota do Autor 1. CRONOLOGIA E HISTÓRIA 1.1. CRONOLOGIA 1.2. RESUMO HISTÓRICO 1.3. SÃO MATEUS NO MUNDO 1.4. SÃO MATEUS NO PAÍS 1.5. SÃO MATEUS NOS AÇORES 1.6. SÃO MATEUS NA TERCEIRA 1.7. SÃO MATEUS E OS HISTORIADORES 2. GEOGRAFIA, COMUNICAÇÕES E INFRAESTRUTURAS 2.1. GEOGRAFIA E NOME DA FREGUESIA 2.1.1. Geografia da freguesia 2.1.2. Nome da freguesia 2.2. CAMINHOS, RUAS, CANADAS, TRAVESSAS, BECOS e ATALHOS 2.2.1. Caminhos 2.2.1.1. Caminho de Baixo 2.2.1.2. Caminho do Meio 2.2.2. Ruas 2.2.2.1. Rua da Igreja Nova 2.2.2.2. Rua de Santo António 2.2.2.3. Rua da Boa Viagem 2.2.3. Canadas 2.2.3.1. Canada da Luz 2.2.3.2. Canada da Arruda 2.2.3.3. Canada do Capitão-mor 2.2.3.4. Canada da Cruz Dourada 2.2.3.5. Canada do Pombal 2.2.3.6. Canada do Escorregadio 2.2.3.7. Canada de São Vicente 2.2.3.8. Canada de Entre Muros 2.2.3.9. Canada do Pico 2.2.3.10. Canada do José Boga 2.2.3.11. Canada da Francesa 2.2.3.12. Canada dos Oliveiras 2.2.3.13. Canada do Martelo 2.2.3.14. Canada de Entre Picos 2.2.3.15. Canada dos Calços 2.2.3.16. Canada do Foro 2.2.3.17. Canada dos Folhados 2.2.3.18. Canada de Trás 2.2.3.19. Canada do Manuel Luís 2.2.3.20. Canada do Canhoto 2.2.3.21. Canada dos Arrifes 2.2.3.22. Canada das Cancelas 2.2.3.23. Canada do Negrito 2.2.3.24. Canada de São Diogo 2.2.3.25. Canada de São Bartolomeu 2.2.3.26. Canada do Jacinto 2.2.3.27. Canada do Garajau 2.2.3.28. Canada da Vagem 2.2.3.29. Canada das Almas 2.2.3.30. Canada da Boa Vista 2.2.3.31. Canada do Biscoitinho 2.2.3.32. Canada do Saco 2.2.3.33. Canada da Rocha 2.2.3.34. Alto do Bravio 2.2.3.35. Ao Forte de São João 2.2.4. Travessas 2.2.4.1. Travessa da Junta 2.2.4.2. Travessa do Porto 2.2.4.3. Travessa das Escadinhas 2.2.4.4. Travessa da Ermida da Luz 2.2.5. Becos 2.2.5.1. Beco do Sul 2.2.5.2. Beco da Boa Hora 2.2.5.3. Beco do Pôr do Sol 2.2.5.4. Beco da Sé – Bravio 2.2.5.5. Beco do Passal 2.2.5.6. Beco de Entre Vinhas 2.2.6. Atalhos 2.2.6.1. Pombal/Arruda 2.2.6.2. Escorregadio/Carvão 2.2.6.3. Luz/Célis 2.2.6.4. Entre Muros/Rolo 2.2.6.5. São Vicente/Pombal 2.2.6.6. São Vicente/Terra do Pão 2.2.6.7. São Vicente/Entre Ladeiras 2.2.6.8. Bravio/Arruda/Pombal 2.2.6.9. Arruda/Entre Picos 2.2.6.10. Entre Picos/Capitão-mor 2.2.6.11. Arruda/Capitão-mor 2.2.6.12. Oliveiras/Rolo 2.2.6.13. Francesa/Cantinho 2.2.6.14. Cantinho/Capitão-mor 2.2.6.15. Capitão-mor/Calços 2.2.6.16. Martelo/Francesa/Folhados 2.2.6.17. Calços/Foro 2.2.6.18. Calços/São Diogo 2.2.6.19. Garajau/São Bartolomeu 2.2.6.20. Biscoitinho/Rocha 2.2.6.21. Caminho de Baixo/Capitão-mor 2.2.6.22. Canhoto/Cruz Dourada 2.2.6.23. Manuel Luís/Calços 2.2.6.24. Jacinto/Calços/São Diogo 2.2.6.25. Capitão-mor/Caminho do Meio 2.2.7. Urbanizações 2.2.7.1. Urbanização do Pombal 2.2.7.2. Urbanização do Palheta 2.2.7.3. Urbanização “Raul Paim” 2.2.7.4. Urbanização do Terreiro 2.2.7.5. Urbanização da Arruda/Bairro 2.2.7.6. Urbanização do Bravio 2.2.7.7. Urbanização do Campo de Jogos 2.2.7.8. Urbanização “Quinta do Mar” 2.2.7.9. Urbanização da Caixa 2.2.7.10. Urbanização “Quinta do Lemos” 2.2.7.11. Urbanização “Três Janelas” 2.2.7.12. Bairro dos Pescadores 2.2.7.13. Urbanização “Quinta dos Carvalhais” 2.2.7.14. Urbanização “Quinta da D. Joana” 2.3. LUGARES E SÍTIOS 2.3.1. Largo da Igreja 2.3.2. Bravio 2.3.3. Pico de Merens 2.3.4. Porto 2.3.5. Terreiro 2.3.6. Igreja Velha 2.3.7. Negrito 2.3.8. Cemitério 2.3.9. Canada de Belém 2.3.10. Terra do Pão 2.3.11. Cantinho 2.3.12. Terra Alta 2.3.13. Biscoitinho 2.4. COMUNICAÇÕES: CORREIO E TELEFONE 2.4.1. Telefones 2.4.2. Correio 2.5. COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAL 2.5.1. Títulos sobre a freguesia 2.5.2. Jornal “O Trabalhador” 2.5.3. Jornal “A Palavra ao Povo” 2.5.4. Jornal da Igreja 2.5.5. Jornais da Junta 2.5.6. Jornal dos Marítimos 2.5.7. Jornal “A Maré” 2.5.8. Outros 2.6. INFRAESTRUTURAS 2.6.1. Água 2.6.2. Antenas 2.6.3. TV Cabo 2.6.4. Faróis 2.6.5. Saneamento Básico 2.6.6. Energia Eléctrica 2.6.7. Urbanas 2.6.8. O Ringue 2.6.9. Junta de Freguesia 2.6.10. Campo de Jogos e Polivalente 2.6.11. Lixo 2.6.12. Parques Empresariais 2.6.13. Materno Infantil 2.6.14. Centro Social e Paroquial 2.6.15. Capela Mortuária 2.6.16. Outros 3. DEMOGRAFIA 3.1. DADOS DEMOGRÁFICOS 3.1.1. Dados demográficos 3.1.2. Alcunhas 3.2. HABITAÇÕES 3.3. EMIGRAÇÃO 3.4. ESCRAVATURA 3.5. HEBRAICOS OU JUDEUS 4. ACTIVIDADES ECONÓMICAS 4.1. AGRICULTURA 4.1.1. Agricultura 4.1.2. Laranja 4.1.3. Produtos Biológicos 4.2. PESCAS 4.2.1. Pescas 4.2.2. Baleia 4.2.3. Algas 4.2.4. Mergulhadores 4.3. INDÚSTRIA 4.3.1. Pedreiras 4.3.2. Barreiros 4.3.3. Mecânicos e Bate-chapa e afins 4.3.4. Carpintarias e Marcenarias 4.3.5. Vinho 4.3.6. Pré-fabricados de Betão 4.3.7. Metalomecânica e afins 4.3.8. Moagens e Atafonas 4.3.9. Serrarias 4.3.10. Abelhas 4.3.11. Construção Civil 4.4. COMÉRCIO 4.4.1. Mercearias e Botequins 4.4.2. Tascas 4.4.3. Leite 4.4.4. Pronto-a-vestir 4.4.5. Restaurantes e Snacks 4.4.6. Armazenistas 4.5. ARTES E OFÍCIOS 4.5.1. Oficinas de Ferreiro 4.5.2. Trabalhos em Vime 4.5.3. Galocheiros 4.5.4. Caiadores 4.5.5. Teares 4.5.6. Calafetes 4.5.7. Latoeiros 4.5.8. Bordadeiras 4.5.9. Sapateiros 4.5.10. Barbeiros 4.5.11. Outros 4.6. SERVIÇOS 4.6.1. Viaturas de Aluguer 4.6.2. Carroças de Aluguer 4.7. ARTESANATO 4.8. TURISMO 4.8.1. Hotelaria 4.9. VENDEDORES AMBULANTES 4.9.1. Leiteiros 4.9.2. Padeiros 4.9.3. Vendedores de Peixe 4.9.4. Vendedores de Areia 4.9.5. Outros 4.10. OUTROS 4.10.1. Farmácia da Misericórdia 4.10.2. Caixa da Misericórdia 4.10.3. Outros 5. PATRIMÓNIO 5.1. FORTES 5.1.1. Forte da Má Ferramenta 5.1.2. Forte Grande ou da Prainha 5.1.3. Forte da Maré ou do Poço 5.1.4. Forte do Biscoitinho ou de São João 5.1.5. Forte do Terreiro ou do Açougue 5.1.6. Forte de São Mateus ou da Igreja 5.1.7. Forte dos Barreiros 5.1.8. Forte do Negrito 5.2. QUINTAS 5.2.1. Quinta do Carvão 5.2.2. Quinta das Mercês 5.2.3. Quinta dos Arrifes 5.2.4. Quinta de São Diogo 5.2.5. Quinta do Alambique 5.2.6. Quinta de Merens ou Candelária 5.2.7. Quinta dos Calços 5.2.8. Quinta de São Francisco das Almas 5.2.9. Quinta do Martelo 5.2.10. Quinta do Lemos 5.2.11. Quinta dos Carvalhais 5.2.12. Quinta da Francesa 5.2.13. Quinta da Terra do Pão ou dos Cantos 5.2.14. Quinta do Benedito 5.2.15. Quinta Rôta 5.2.16. Quinta de São Vicente 5.2.17. Quinta da Terra Alta 5.2.18. Quinta da Luz 5.2.19. Quinta do Pombal 5.2.20. Quinta do Terreiro/Contentes 5.2.21. Quinta da Prainha 5.2.22. Quinta do Ferrão 5.2.23. Quinta do Berbereia 5.3. IGREJAS 5.3.1. A Paróquia 5.3.2. A Igreja (Ermida) da Luz 5.3.3. A Igreja Primitiva 5.3.4. A Igreja Velha 5.3.5. A Igreja Nova 5.3.6. Os Relógios das Igrejas 5.3.7. O Passal 5.4. ERMIDAS 5.4.1. Ermida de São Tomás de Vila Nova 5.4.2. Ermida das Mercês 5.4.3. Ermida da Luz 5.4.4. Ermida da Candelária 5.4.5. Ermida de São João Baptista 5.4.6. Ermida de São Vicente 5.4.7. Ermida de São Francisco das Almas 5.4.8. Capela de São Diogo 5.4.9. Ermida de São Diogo 5.4.10. Ermida de Santo António dos Milagres 5.4.11. Ermida de São Martinho 5.4.12. Ermida do Bravio 5.5. IMPÉRIOS 5.5.1. Império do Cantinho 5.5.2. Império do Terreiro 5.6. CASAS 5.6.1. Casas antigas 5.7. CHAFARIZES E ARQUINHAS 5.7.1. Chafarizes 5.7.2. Arquinhas 5.8. MUSEUS 5.8.1. Casa dos Botes Baleeiros 5.8.2. Núcleo Museológico do Negrito 5.8.3. Núcleo Museológico do Mar 5.8.4. Outros 5.9. NICHOS RELIGIOSOS 5.9.1. Santinha das Limeiras 5.9.2. São João – Calços 5.9.3. Senhora da Boa Viagem 5.9.4. Quinta do Carvão 5.9.5. Santo António – Porto 5.9.6. Senhora de Fátima – Terreiro 6. CULTURA 6.1. FESTAS POPULARES 6.1.1. Festa do Terreiro 6.1.2. Festa do Cantinho 6.1.3. Festa de Santo António 6.1.4. Festa da Terra Alta 6.1.5. Festa do Menino Jesus de Praga 6.1.6. Festa da Terra do Pão 6.1.7. Festa do São Martinho 6.1.8. Festa da Canada do Capitão-mor 6.1.9. Festa dos Calços 6.1.10. Festa de São Francisco das Almas 6.1.11. Festa do Bravio 6.1.12. Festa de São João 6.1.13. Festa da Brindeira 6.2. DANÇAS E BAILHINHOS 6.3. TEATRO 6.4. CANTADORES E ARTISTAS 6.4.1. Improvisadores 6.4.2. Tocadores 6.4.3. Artistas 6.4.4. Parteiras 6.4.5. Capinhas, Pastores e Forcados 6.4.6. Outros 6.5. GENTE NOSSA 6.5.1. Gente conhecida 6.6. ESCRITORES, POETAS E PINTORES 6.6.1. Escritores 6.6.2. Poetas Populares 6.6.3. Pintores 6.7. TRADIÇÕES 6.7.1. Fogueiras de São João 6.7.2. Crenças 6.7.3. Fatias 6.7.4. Matanças 6.7.5. Foliões 6.7.6. Justiça da Noite 6.7.7. Os Maios 6.8. FESTAS RELIGIOSAS 6.8.1. Festa de 1 de Novembro 6.8.2. Peditório das Almas 6.8.3. Festa do Natal 6.8.4. Festa de Nossa Senhora de Fátima 6.8.5. Festa de Nossa Senhora da Luz 6.8.6. Festa de Santo António 6.8.7. Festa de Santo Isidro 6.8.8. Festa de São Mateus 6.8.9. Festa de Jesus das Chagas 6.8.10. Festa de Nossa Senhora da Conceição 6.8.11. Festa de Nossa Senhora do Rosário 6.9. MARCHAS E DESFILES 6.10. OUTROS 7. COLECTIVIDADES E ASSOCIAÇÕES 7.1. CASA DO POVO 7.1.1. Casa do Povo 7.1.2. Filarmónica 7.1.3. Materno Infantil 7.2. DESPORTIVAS E RECREATIVAS 7.2.1. Clube do Cantinho 7.2.2. Modas da Nossa Terra 7.2.3. CCD Melrinho 7.2.4. Salão Boa Vista 7.2.5. Salão Contente 7.2.6. O Porto 7.2.7. Os Marítimos 7.2.8. Estrela Vermelha 7.2.9. O Marítimo 7.2.10. O Atlético 7.2.11. O Salão 7.2.12. Lawn Tennis Club 7.2.13. Lobos do Mar 7.2.14. Os Amarelos 7.2.15. Juventude Católica 7.2.16. Pica Ferrugem 7.2.17. Os Unidos 7.2.18. Grupo de Escuteiros Marítimos 7.2.19. Gê-Questa 7.2.20. Argentina 7.2.21. Boa Vista/Bairro Novo 7.2.22. Grupo de Carnaval do Cantinho 7.2.23. Os Veteranos 7.2.24. Associação Cultural de São Mateus 7.2.25. Conjunto Solmar 7.2.26. Sporting de São Mateus 7.2.27. Clube Naval de São Mateus 7.2.28. Grupo de Escuteiros do Cantinho 7.3. RELIGIOSAS 7.3.1. Associações Religiosas 7.3.2. Grupos Corais 7.3.3. Comissão Administrativa Paroquial 7.3.4. Conferência de São Vicente de Paula 7.3.5. Outras 7.4. CASA DOS PESCADORES 8. ENSINO 8.1. ENSINO PARTICULAR 8.1.1. Casas particulares 8.2. ENSINO BÁSICO (1.º ao 9.º) 8.2.1. Escola do Terreiro 8.2.2. Escola da Canada do Pico 8.2.3. Escola Nova do Centro 8.2.4. Escola do Cantinho 8.2.5. Caixas de Prémios 8.3. ENSINO SECUNDÁRIO (10.º ao 12.º) 8.4. ENSINO UNIVERSITÁRIO 8.4.1. Cursos Superiores 8.5. EDUCAÇÃO PERMANENTE 8.6. “A UNIVERSIDADE DE SÃO MATEUS” (O FORTE GRANDE) 8.7. INFORMÁTICA/INTERNET 8.8. CRECHES E JARDINS DE INFÂNCIA 8.8.1. Creches 8.8.2. Jardins de Infância e Pré-Primário 9. ELEIÇÕES E FORÇAS POLÍTICAS 9.1. ELEIÇÕES E RESULTADOS 9.1.1. Eleições 9.1.2. Resultados 9.2. FORÇAS POLÍTICAS 9.2.1. MDAH 9.2.2. MES 9.2.3. APU 9.2.4. PS 9.2.5. BASE-FUT 9.2.6. GDUP 9.3. O 25 DE ABRIL DE 1974 9.4. COMISSÕES DE MORADORES 9.4.1. Comissão de Moradores do Bairro dos Pescadores 9.4.2. Comissão de Moradores da Canada da Cruz Dourada 9.4.3. Comissão de Moradores da Canada da Arruda 9.4.4. Comissão de Moradores da Canada do Biscoitinho 9.4.5. Comissão de Moradores da Canada do Passinho (Rocha) 9.4.6. Comissão de Moradores da Canada de Santo António 9.5. ACONTECIMENTOS RELEVANTES 9.5.1. Acontecimentos 9.5.2. Cargos e Posições de Relevo 9.5.3. Acontecimentos políticos 9.6. ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA 9.6.1. Organização política e administrativa 9.6.2. O Regedor 9.6.3. A Junta de Paróquia/Freguesia 9.6.4. A Assembleia de Freguesia 9.6.5. Outros 10. CATÁSTROFES E TRAGÉDIAS 10.1. TEMPORAIS 10.2. TERRAMOTOS, MAREMOTOS E ERUPÇÕES 10.2.1. Terramotos 10.2.2. Maremotos ou Tsunami 10.2.3. Erupções 10.3. INCÊNDIOS 10.4. SUICÍDIOS E HOMICÍDIOS 10.4.1. Suicídios 10.4.2. Homicídios 10.5. MORTOS E CONDENADOS 10.5.1. Mortos no Ultramar 10.5.2. Mortos em Temporais 10.5.3. Mortos no Mar 10.5.4. Condenados 10.6. DOENÇAS, FOMES E CALAMIDADES 10.6.1. Doenças 10.6.2. Fomes e Calamidades 10.7. ACIDENTES 10.7.1. Acidentes de Trabalho 10.7.2. Acidentes de Viação 10.7.3. Outros Acidentes 10.8. VIGARICES 10.9. OUTROS 11. OUTROS 11.1. CURIOSIDADES Prefácio A história dos lugares e das suas gentes também se faz do modo como Liduino Borba escreveu este livro, a que intitulou Subsídios para a História de São Mateus da Calheta. Com ele, o leitor está perante um documento monográfico referente a uma freguesia rural situada nos subúrbios da cidade de Angra do Heroísmo que, pelas suas peculiares características, constitui caso único na ilha: é a principal (se quisermos ser mais rigorosos, a única) freguesia piscatória da ilha, mas nem por isso deixa, em simultâneo, de ser uma freguesia com uma actividade fortemente rural. A par da sua importante e típica comunidade piscatória, nela ainda se encontram também algumas das antigas quintas agrícolas, outrora pertencentes a famílias residentes na cidade. Todavia, no presente, esta freguesia é, tendencialmente, local de fixação de agregados familiares não originários do local mas que o passam a habitar em resultado da proximidade territorial à cidade e da boa qualidade de vida que proporciona. É hoje, deste modo, uma das zonas preferenciais da expansão urbana citadina. Por esta razão, São Mateus da Calheta é uma freguesia habitada por gente variada: gente natural do local e gente que a adoptou como local de residência. É também, como território, uma vasta e diversa área. No fundamental, caracteriza-se duplamente, por um lado, pela sua relação com o mar através da sua importante vocação piscatória, e, por outro, pela sua relação com o hinterland decorrente da sua dimensão agrícola. Com o presente estudo, Liduino Borba – ele próprio natural desta freguesia – fixa, com êxito e exaustivamente, a história desta comunidade e deste território, cumprindo uma função assaz importante e urgente: registar a memória colectiva de uma freguesia em transformação, através dos seus principais acontecimentos históricos, das suas gentes e dos seus espaços. Assim, com esta obra, a freguesia de São Mateus da Calheta passa a dispor de um precioso registo que contribuirá para melhor perspectivar a sua identidade. Com ela, o leitor ficará a saber sobre muitos aspectos, nomeadamente sobre as suas vias de comunicação, a demografia, as actividades económicas, o património construído, as manifestações culturais, as instituições, o ensino, as tendências políticas, as catástrofes, entre muitas outras mais, tudo isto organizado e apresentado numa estrutura lógica de base essencialmente cronológica. Subsídios para a História de São Mateus da Calheta é um livro de história de que muitos historiadores se irão socorrer quando necessitarem aceder a dados sobre a freguesia de São Mateus da Calheta. É uma obra descritiva, não interpretativa, mas nem por isso deixa de ter significativa utilidade para o conhecimento desta freguesia. Registe-se, a propósito, que não abundam infelizmente entre nós obras desta natureza, onde são exaustivamente recolhidos e tratados todos os elementos disponíveis relativos a uma freguesia. Para isso, o autor serviu-se de uma série de fontes de informação (que cita devidamente em nota de rodapé e refere no final da obra em “Bibliografia”), a partir das quais, pacientemente, obteve os dados que agora nos oferece devidamente compilados e sistematizados. Desde jornais, passando pelas mais variadas obras impressas onde encontrou referências a esta freguesia, até à recolha de informações orais, Liduino Borba consultou uma vasta série de fontes de informação que conferem a este livro uma substancial riqueza informativa. Ao longo das suas cerca de setecentas e cinquenta páginas, são publicadas neste livro várias centenas de imagens, algumas delas de excepcional interesse pelo facto de serem pouco conhecidas ou mesmo inéditas e, na generalidade, oferecerem curiosa informação. Importará ainda uma referência ao autor. Investigador autodidacta, Liduino Borba é acima de tudo um incansável pesquisador que contribui para a divulgação de importantes aspectos históricos, a quem a Cultura açoriana fica a dever um empenho notável. Não sendo esta a sua primeira obra, é, no entanto, aquela que maior quantidade de trabalho representa e mais informação oferece ao seu leitor. Sabe-se que tem outras obras em preparação e, por conseguinte, esperam-se dele novos e importantes contributos. Em relação a Liduino Borba e aos editores (a Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta e a editora BLU) signifique-se que, com a saída do prelo desta obra, prestam um inestimável serviço público à comunidade. Jorge A. Paulus Bruno Palavras do Presidente da Junta de Freguesia Já vamos a caminho do final do quarto mandato para que fui eleito nesta Junta de Freguesia, e sempre foi minha intenção e desejo e de todos os membros, que comigo trabalham desde o primeiro mandato, a feitura de um livro que contasse a História de São Mateus da Calheta, esta bela e extraordinária freguesia, que tem muito anos de história, não fosse a data da sua elevação anterior ao ano de 1560. Há cerca de quatro anos que, em conversa com o meu amigo e camarada José Liduino Borba, falámos no interesse que havia em contar em livro a história da nossa freguesia, tendo ficado assente que ele efectuaria o referido projecto, para o qual trabalharia com muito gosto. Fiquei muito satisfeito pela forma pronta que o mesmo demonstrou na imediata preparação do livro em causa. Sei que este foi um trabalho exaustivo, com longos anos de investigação e empenho pessoal, um trabalho de pesquisa em todas as áreas, com um levantamento da história da freguesia desde os seus primórdios, não só do território, mas das suas gentes e tradições, que necessitava de ser feito com profundidade e o mais completo possível. Está patente nesta obra a investigação cuidada, a aplicação e o carinhoso interesse que o meu amigo José Liduino imprimiu a este trabalho. Aqui está o resultado de um longo estudo e de um árduo trabalho efectuado ao longo de vários anos, dedicando-se sem qualquer interesse, apresentando uma obra capaz de preencher a lacuna de informação que sobre a freguesia de São Mateus da Calheta se fazia sentir. É com muita honra e muito gosto que apresento esta obra a todos os Mateusenses e, ao mesmo tempo, saúdo com muita satisfação e agradeço, em meu nome pessoal, em nome dos elementos da Junta de Freguesia, da Assembleia de Freguesia e de toda a população, este livro que nos dignifica bem como ao meu grande amigo José Liduino. Bem-haja por este trabalho, obrigado. O Presidente da Junta José Gaspar Rosa de Lima Nota do Autor Começo com uma transcrição com a qual estou totalmente de acordo: «Não sou certamente dos mais competentes para empreender tão árduo e difícil trabalho; todavia, visto que os mestres se não dispõem à espinhosa tarefa, lanço mão dela, e depois os competentes que a aperfeiçoem». Uma outra, mas do Dr. Jorge Forjaz: «Falta sempre alguma coisa. Temos é de saber chegar a um ponto e parar, porque já temos o suficiente. E depois venha outro que faça mais.» É o que acontece com a “História de São Mateus”. Em 2006, esteve na Praia da Vitória o historiador português José Hermano Saraiva e, em entrevista ao “Diário Insular”, de 2 de Julho, dizia: «A história não se resume ao que sabemos ou ouvimos dizer e tem, para além da vertente da investigação permanente e dos dados comprovadamente existentes, “uma pitada de sal” que pode ser a especulação séria que não desvirtua, mas desperta a atenção e permite que os acontecimentos possam mesmo ser atraentes para a sociedade em geral, (…)». Embora admire tal ponto de vista, não foi esse o meu caminho neste trabalho; optei, sim, por transcrever tudo quanto eram dados comprovados. No último número, o 23, do jornal “A Maré”, de 1992, Arnaldo Ourique, em jeito de editorial, escreve: «(…). Sempre acreditei, até hoje, que os homens que escrevem fazem-no não porque o destinatário mereça ou não, mas por quererem dizer alguma coisa de útil, ou por quererem dar o seu contributo, ou por todas as razões possíveis de quem escreve por amor à verdade, ao conhecimento, à humanidade (…)» Concordo com estas palavras; são, de certa maneira, o meu caminho. No decurso dos meus trabalhos, encontrei vários documentos e livros “vítimas da humidade açoriana”, implacável destruidora. O Cónego Pereira, sobre a época do Bispo D. João Marcelino (1774-1782) escreve «(…) não apresentava documento por o tempo e a humidade do clima terem estragado os cartórios públicos.» É um trabalho acrescido que temos nos Açores, a criação de ambientes capazes de manter os documentos em boas condições. Esta História de São Mateus é a maior recolha e levantamento conhecidos sobre a freguesia, que ficará para as gerações vindouras. Seria de interesse histórico a Câmara Municipal ou a Direcção Regional da Cultura apoiarem um projecto que visasse a mesma finalidade para todas as freguesias que o quisessem fazer. Gostaria de deixar aqui o meu público agradecimento ao pessoal de diversas repartições ou entidades, que foram incansáveis no apoio à recolha de informação, como a Biblioteca, o Registo Civil, o Cartório Paroquial, a Repartição de Finanças, o Registo Predial e Centro de Conhecimento dos Açores. Nesta data, esta obra só toma forma de livro porque o meu amigo e presidente da Junta de Freguesia de São Mateus – José Gaspar Rosa de Lima – acreditou que era um projecto capaz de merecer o apoio da equipa que dirige. Por isso, os meus agradecimentos. Nesta data, 2008, esta é a “História de São Mateus” que eu consegui compilar, resultado das consultas, leituras, entrevistas, conversas, etc., que efectuei. Como freguesia piscatória, eu compararia a minha obra a um barquinho a remos que sai do porto até à ponta do Monte Brasil, onde enche um balde de água salgada com uma colher de café e volta ao porto, ainda a remos… Certamente haverá erros, omissões, esquecimentos, trocas de elementos; é humano e é natural numa obra desta dimensão, mas estou com a consciência tranquila de tudo ter feito para que saísse correcto. Que me perdoem ou desculpem os visados pelos erros. São Mateus da Calheta é uma freguesia da história e com história, por isso merece este trabalho. Conversas Conversei com cerca de duas centenas de pessoas da freguesia, ligadas a ela ou relacionadas com acontecimentos nela ocorridos. De um modo geral, todas colaboraram de forma desinteressada e com sentido de ajuda. Dessas conversas, gravei mais de uma centena de horas, primeiro em sistema de áudio tradicional – a cassete – depois em suporte digital. Falei, também, com pessoas ligadas ao “mundo da história ou das letras”, como Jorge Forjaz, Reis Leite, João Ventura, Vasco Pereira da Costa, Jorge Bruno, Valdemar Mota, José Elmiro Rocha, Marcolino Candeias, José Nuno da Câmara Pereira, José Dias, Andrea Homem, Helena Ormonde, Luiza Figo, Maduro Dias e Eduardo Ferraz da Rosa, a quem expus as linhas gerais do meu trabalho e de quem recebi o mais diverso apoio e incentivo. A uns e a outros, o meu muito obrigado. Fotografias Tenho em suporte digital mais de 1.300 imagens, na sua maioria fotografias, de pessoas, lugares, acontecimentos, imóveis, etc., relacionadas com a freguesia, para daí ser feita uma selecção a ser incluída no livro. O arquivo digital das imagens está numerado por ordem sequencial. As imagens incluídas estão identificadas pelo seu número mas, no livro, não seguem a ordem ascendente. A origem das imagens é variada. Umas são de autores desconhecidos, outras da minha autoria, outras do Foto Elvino, do Fotonan, da Junta de Freguesia, do espólio do jornal “A Maré”, na posse de José Elmiro Ourique, e ainda de vários anónimos que quiseram gentilmente colaborar com este trabalho. Embora haja algumas fotografias com menos qualidade, mesmo assim, preferi utilizá-las a deixá-las na gaveta. Internet Consultei vários sites na internet, mas foi http://genealogia.sapo.pt que mais informação me forneceu, porque foi a primeira fonte para perceber as famílias das principais Quintas da freguesia. Investigação Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo. «(…), cidade possuidora de um opulento Arquivo e de uma bem apetrechada Biblioteca Pública, ambos bem situados e bem organizados, (…)» Estas palavras de Júlio d’Angra traduzem bem o que senti ao consultar o que necessitava. Chamar-lhe-ei apenas Biblioteca para facilitar a escrita e por assim ser conhecida de muitos. Está situada na Rua da Rosa no antigo Palácio dos Bettencourts. Está projectada a sua transferência para junto do Palácio Silveira e Paulo (antiga Escola Industrial). O Concílio de Trento (1545-1563) decretou a obrigatoriedade dos registos paroquiais – baptismos, casamentos e óbitos – que foram sendo feitos muito lentamente, havendo alguns só iniciados no século XVII. Na Biblioteca, referente a São Mateus, consultei alguns livros de registo de baptismos, casamentos e óbitos. O livro mais antigo de baptismos regista o primeiro a 23 de Outubro de 1641; o de casamentos a 29 de Setembro de 1642 e o de óbitos a 27 de Abril de 1641. Ou seja, o registo mais antigo refere-se a um óbito, de cujo nascimento não há anotação. Porquê? Antes desta data já havia paróquia, mas não se conhecem registos. Outros livros consultados foram os “Rol de Confessados” da freguesia. Existem de 1780 a 1966. Consultei do início ao fim, com intervalos de 10 anos, na maioria dos casos, ou seja: 1780, 1790, 1800, 1810, 1820, 1830, 1840, 1850, 1861, 1870, 1878, 1880, 1890, 1900, 1910, 1920, 1930, 1940, 1950, 1961 e 1966. Há um livro chamado de Rol de Confessados número 1, com 68 páginas, datado de 1754, que serviu de livro do Arquivo da Igreja onde estão lançadas entradas e saídas de verbas das Confrarias e relacionadas com as obras da Igreja. Consultei todos os 15 volumes do “Arquivo dos Açores”, de Ernesto do Canto, e li todos os documentos com datas anteriores a 1560, que me pareciam ter alguma relação com o povoamento da Terceira, na ânsia de encontrar explicações para a formação da paróquia de São Mateus. Nada encontrei. Folheei os documentos dos Cartórios da Casa da Madre de Deus e da Casa do Morgado Borges Teixeira, datados de 1506 a 1560, e nada encontrei com referência a São Mateus. Consultei o “Tombo das coisas mais importantes da Câmara de Angra de 21 de Agosto de 1534 a 10 de Outubro de 1656” e, mais uma vez, nada encontrei sobre a freguesia. Em conversa com o Dr. Jorge Forjaz, sobre o seu grande trabalho “As Genealogias da Terceira” e as possíveis ligações com São Mateus, informou-me da existência de um testamento de Vasco Fernandes Rodovalho, datado de 1544, transcrito no “Livro do Tombo do Convento de São Francisco”, que refere o lugar da “Calheta”. É este o documento mais antigo, com referências à freguesia, a que tive acesso. Consultei também o Fundo “O Antifascismo e o 25 de Abril”, criado por proposta de Rafael Cota Moniz, no seguimento das comemorações dos 20 anos do 25 de Abril de 1974, onde encontrei muita documentação sobre a freguesia de São Mateus, relacionada com as forças partidárias, cívicas, comissões de moradores, etc. Foi agradável encontrar alguns documentos meus, ou nos quais fui interveniente. Leitura dos Historiadores e Outros No que à ilha Terceira diz respeito, li historiadores como Valentim Fernandes, Gaspar Frutuoso, Diogo das Chagas, Frei Agostinho Monte Alverne, Maldonado, Cordeiro, Luís Meireles do Canto e Castro, Jerónimo Emiliano d’Andrade, Ferreira Drumond, Padre José Alves da Silva com a anotação da Topografia de Jerónimo d’Andrade, Alfredo da Silva Sampaio, Luís da Silva Ribeiro, Gervásio Lima, Pedro de Merelim, Manuel Fidalgo, João A. Gomes Vieira e, por fim, António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz com as “Genealogias da Ilha Terceira”. Consultei, também, a “Relação Anónima”. Estas leituras ficaram concluídas em princípios de 2008. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira Foram vários os Boletins consultados, desde o seu início em 1943 até aos nossos dias. Li os índices do boletim (1 a 39), editado em 1983, donde compilei o que ao meu trabalho diria respeito. Mas foi no Boletim, Vol. LX, de 2002, que li o trabalho de Rute Dias Gregório, da página 9 à 240, “O Tombo de Pêro Anes do Canto (1482-1515), onde são transcritos documentos importantes da época do povoamento. É nesse trabalho que são feitas referências a “dadas” e transacções de propriedades, na zona do Pombal e Terra Chã da Silveira no termo de Angra, lugares da freguesia, ou muito próximos, sem no entanto ser mencionado o nome de São Mateus. Li quase todos os trabalhos que tinham referências anteriores a 1560, na expectativa de encontrar alguns elementos sobre o início da paróquia, mas nada encontrei. Cartório Paroquial de São Mateus Consultei na minha freguesia o excelente e precioso arquivo paroquial, a funcionar nas novas instalações do Centro Social e Paroquial. Tem em razoável estado de conservação todos os índices, desde 1641 aos nossos dias, de baptismos, casamentos e óbitos separados por sexos e menores, que foram elaborados pelo padre António Barcelos de Lima, por volta de 1910, a pedido do padre Manuel Maria da Costa. Os registos de baptismos, casamentos e óbitos, até aos primeiros meses de 1911, estão na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, mas daquela data em diante encontram-se no Cartório. Cemitério de São Mateus Fiz várias visitas ao Cemitério da freguesia e ali encontrei informação preciosa e detalhada para o meu trabalho. As datas de nascimento e óbito, os nomes completos e algumas anotações foram de extrema importância para a compreensão dos factos. Recolha de elementos nas Finanças em Novembro e Dezembro de 2006. Existem dois livros de registo da matriz predial rústica da freguesia de São Mateus. O primeiro livro, em mau estado de conservação, mas ainda sendo possível a sua consulta, contém as inscrições dos artigos até ao n.º 969 e ano de 1957. No entanto, tem um encerramento em 31 de Dezembro de 1939, no artigo 902.º, com 897 prédios, das folhas 1 a 182. Neste livro, as inscrições vão sendo efectuadas, até ao artigo 865.º, com uma sequência lógica da distribuição geográfica da freguesia. Ou seja, localiza os prédios entre determinadas canadas e estradas ou lugares. A partir do artigo 866.º, as inscrições efectuadas são de localização variável. O segundo livro, em estado razoável de conservação, tem inscrições a partir do artigo 970.º e ano de 1958. Este livro termina com o artigo 1084.º e o ano de 1981. Os restantes livros da matriz predial rústica são a transcrição e actualização dos já citados. Em 2007, o último artigo rústico inscrito era o número 1237. Também existem dois livros de registo da matriz predial urbana. Estes começam com a inscrição do artigo n.º 1 na Quinta dos Arrifes e continuam normalmente pelas canadas e caminhos da freguesia. O primeiro livro da matriz urbana tem referências ao ano de 1935 e termina no artigo 573. O segundo livro continua no artigo 574 e acaba no 831, em 1972. Há outros livros da matriz predial urbana, que são a cópia e actualização destes. Em 2007, o último artigo urbano era o 2205.º. Recolha de elementos na Conservatória dos Registo Predial e Comercial de Angra do Heroísmo, em Dezembro de 2006. Predial O registo da propriedade estava organizado, inicialmente, em livros adequados e, posteriormente, em fichas do tamanho A4. Começam a ser efectuados alguns registos em sistema informático, com suporte em papel. Alguns dos livros mais antigos, ainda que em estado de consulta aceitável, necessitam de conservação. Há registos em livros, que consultei, com datas da segunda metade do século XIX. Comercial Os registos das empresas comerciais começaram também por ser efectuados em livros adequados, passaram para fichas semelhantes ao predial e, presentemente, estão a ser feitos em sistema informático, com suporte em papel. Cada empresa tem o seu número sequencial, com uma ou mais pastas respectivas, onde estão arquivados todos os documentos a ela referentes. No final de 2006, o registo comercial ultrapassava as 1200 empresas registadas, embora haja muitas sem actividade ou dissolvidas. Livros da Junta de Paróquia/Freguesia Em 5 de Maio de 2007, comecei a consulta de vários livros de recenseamento, actas, orçamentos e contas das Juntas de Paróquia ou Freguesia, em poder da Junta de Freguesia. O primeiro foi o “Livro 1.º dos recenseamentos das creanças que estão na edade escolar do sexo feminino da freguesia de São Mateus da Calheta, tendo principiado em 10 de Novembro de 1887.” Tem informação muito precisa sobre o nome da aluna, data de nascimento, encarregado de educação ou filiação, meios de subsistência, morada e distância em metros da escola pública ou particular. Inicia-se em 1887 e acaba em 1902. Tem 50 folhas numeradas na frente e estão ocupadas 43. O segundo foi o 1.º Livro de Actas da Junta de Paróquia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 8 de Janeiro de 1837 a 8 de Julho de 1839. Tem as folhas numeradas de 1 a 76, e rubricados por “Ormonde”. Está em mau estado de conservação. O terceiro foi o 2.º Livro de Actas da Junta de Paróquia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 10 de Maio de 1840 a 4 de Fevereiro de 1851. Tem as folhas numeradas de 1 a 102, e rubricados por “Joaquim José de São Paullo”. Encontra-se, também, em mau estado de conservação. O quarto foi o 3.º Livro de Actas da Junta de Paróquia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 22 de Maio de 1851 a 4 de Janeiro de 1885. Tem as folhas numeradas de 1 a 96, e rubricados por “Campêllo”. Este está em razoável estado de conservação. O quinto foi o 4.º Livro de Actas da Junta de Paróquia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 25 de Janeiro de 1885 a 14 de Maio de 1891. Tem as folhas numeradas de 1 a 51, e rubricados por “Mello”. O estado de conservação é razoável, embora com as folhas iniciais e finais deterioradas. Não encontrei o Livro, ou Livros, de Actas da Junta de Paróquia entre o anterior (1885/91) e o seguinte, que tem abertura de 3 de Janeiro de 1898. Vou-me socorrer de outros dois (Diário de Contas 1887-1914; e Orçamento e Contas 1893-1903) para tentar completar alguns dados. As Actas em falta deveriam ter dados importantes relacionados com o início das obras da Igreja Nova. O sexto livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Orçamentos e Contas da Junta de Paróquia de 1893 a 1903. Tem as folhas numeradas de 1 a 50, e rubricadas por “MMCosta”. Estado de conservação: razoável. O sétimo livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Actas da Junta de Paróquia de 9 de Janeiro de 1898 a 2 de Janeiro de 1908. Tem as folhas numeradas de 1 a 100, e rubricadas por “MMCosta”. A maioria das actas está elaborada por força da lei, sem qualquer deliberação. Está em razoável estado de conservação. O oitavo livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Diário e Contas da Junta de Paróquia, de 1887 a 1914. Tem as folhas numeradas de 1 a 49, e rubricadas por “JBCorvello”. Lamentavelmente em mau estado de conservação. O nono livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Diário e Contas da Junta de Paróquia, de 1897 a 1914. Tem as folhas numeradas de 1 a 50, inscritas até à 45, e rubricadas por “MMCosta”. Está em razoável estado de conservação. Parece ser o rascunho do anterior. O décimo livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Orçamentos e Contas da Junta de Paróquia de 1903 a 1915. Tem as folhas numeradas de 1 a 50, e rubricadas por “MMCosta”. Está em razoável estado de conservação. O décimo primeiro livro consultado, razoavelmente conservado, foi o Livro de Actas da Junta de Paróquia, que contém as Actas de 12 de Janeiro de 1908 a 27 de Janeiro de 1918. Tem as folhas numeradas de 1 a 100, e rubricados por “MMCosta”. Da página 95V à 100 está em branco. Este livro é o do período conturbado da revolução de 5 de Outubro de 1910 e da inauguração da Igreja Nova de São Mateus. Embora presidente da Junta de Paróquia, o Vigário Manuel Maria da Costa, não assinou as actas quinzenais de 27/2/1910 a 29/1/911, e participa na reunião de 19/2/1911, onde é constituída a Comissão Administrativa, presidida por Francisco Ferreira Belerique, mas não assina a acta. José Vieira da Fonseca, Regedor mencionado nas actas, não as assina entre 14/2/1915 e 27/7/1919, data em que aparece nas actas José Cardoso Contente como Regedor. O pároco António Barcelos de Lima elabora e assina sozinho as actas de 30/12/1917 a 13/7/1919. Que significado têm estes factos? O décimo segundo livro consultado, em simultâneo com outros dois, foi o Livro de Orçamentos e Contas da Junta de Paróquia de 1915 a 1923. Tem as folhas numeradas de 1 a 100 e rubricadas por “Souza”. Está inscrito apenas até à folha 19. O décimo terceiro livro consultado foi o Livro de Actas da Junta de Paróquia, que contém as Actas de 3 de Fevereiro de 1918 a 15 de Outubro de 1933 e não tem as folhas numeradas nem rubricadas, nem termo de abertura e encerramento. Contém muitas “irregularidades”. Há quase dois anos (1918/19) de actas não assinadas. De 14/3/1920 a 12/6/1921 as actas estão assinadas só por um vogal e o pároco António Barcelos de Lima. De 26/6/1921 a 31/12/1922, estão assinadas apenas pelo pároco. De 7/8/1923 a 24/5/1924, as actas não estão assinadas e seguem 8 folhas em branco. Entre 2/8/1926 e 20/11/1932, existem 18 folhas em branco. Entre 20/11/1932 e 15/10/1933, existem 4 actas com outras tantas vendas de sepulturas. As restantes 25 folhas estão em branco. Estes dois últimos livros encontram-se relativamente bem conservados. Não encontrei quaisquer actas até ao livro de 1959/80. O décimo quarto foi o Livro de Actas da Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 15 de Novembro de 1959 a 1 de Abril de 1980. Entre 2 de Fevereiro de 1968 e 15 de Novembro de 1971 não existem actas. Tem as folhas numeradas de 1 a 98, mas não rubricadas. Tem abertura assinada por Domingos Machado dos Santos e não tem encerramento. Conservação: razoável. O décimo quinto foi o Livro de Actas da Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 24 de Abril de 1980 a 25 de Janeiro de 1982, esta última incompleta. Tem as folhas numeradas de 1 a 100, rubricadas por “JOrmonde”. Tem termo de abertura e encerramento assinados por Jorge Manuel Martins Ormonde. Entre a página 43V e a 100 está em branco. Este foi o livro de actas que causou polémica, por retenção do então secretário da Junta. Bom estado de conservação. Entre este livro e o seguinte (15-01-1983) não se conhecem actas da Junta. O décimo sexto foi o Livro de Actas da Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 15 de Janeiro de 1983 a 10 de Abril de 2002. Tem as folhas numeradas de 1 a 100, rubricadas por “Gomes”. Tem termo de abertura, datado de 2 de Maio de 1983, assinado por Jorge Gabriel Martins Gomes. Entre 16/1/1987 e 8/1/1990, não existem actas, por deliberação da Junta de então. Este livro segue-se ao da polémica, por isso tem o seguinte termo de abertura: “Em virtude do Livro de Actas da Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta se encontrar na posse de Joaquim Carlos Rebelo de Melo, o qual ao ser eleito para a Assembleia de Freguesia, no mandato de 1979/82, e porque as solicitações desta Junta de Freguesia nunca foram satisfeitas, conforme se comprova pelos ofícios n.º 67/83 de 14-3-80 e 127/83 de 18-4-83, abre-se o presente Livro de Actas. Constam deste Livro de Actas 100 folhas que por mim são rubricadas. 2/5/983, Jorge Gabriel Martins Gomes.” O décimo sétimo foi o primeiro Livro de Actas da Assembleia de Freguesia de São Mateus da Calheta, que contém as Actas de 23 de Dezembro de 1976 a 30 de Junho de 1999. Entre 29 de Dezembro de 1988 e 4 de Janeiro de 1990 não existem actas. Não tem as folhas numeradas nem rubricadas. Não tem abertura nem encerramento. Razoável estado de conservação. O décimo oitavo foi o livro das Actas da Junta de Freguesia, em uso, que contém as actas iniciadas em 6 de Maio de 2002. A última acta inscrita, que consultei, foi a de 2 de Março de 2007 na página 83. Tem as folhas numeradas de 1 a 100, rubricadas por “JLima” e autenticadas com o selo branco da Junta, até à página 44. Tem termo de abertura. O décimo nono foi o livro das Actas da Assembleia de Freguesia, em uso, que contém as actas iniciadas em 30 de Setembro de 1999. A última acta inscrita, que consultei, foi a de 2 de Abril de 2007 na página 39V. Tem as folhas numeradas de 1 a 50 e não rubricadas. Tem termo de abertura. Estes dois últimos livros encontram-se bem conservados. Livros das Actas da Casa do Povo de São Mateus Consultei três livros da Casa do Povo de São Mateus. O primeiro foi o livro das actas da Comissão Administrativa, quando a Casa do Povo era uma Delegação da de São Bartolomeu, da Comissão Organizadora, quando já era autónoma mas em fase de instalação, e da Direcção, após a eleição dos seus corpos sociais próprios. Não tem termo de abertura nem de encerramento, tem cerca de duzentas folhas, sem numeração nem rubricadas. Está preenchido até mais de meio, com a primeira acta datada de 24 de Maio de 1975 e a última de 6 de Março de 2001. O primeiro livro tem as actas com regularidade de datas até 29 de Dezembro de 1995. Depois, segue-se uma acta com a data de 28 de Dezembro de 1999, ou seja, quatro anos depois. Seguem-se seis actas, até 6 de Março de 2001, estando as duas últimas por assinar. O segundo livro consultado contém as Actas das Assembleias Gerais de 18 de Dezembro de 1984 a 11 de Março de 2006. Tem cerca de cem folhas não numeradas. Tem termo de abertura, datado de 12 de Dezembro de 1984, assinado por Luís Manuel Vieira da Fonte, mas não tem termo de encerramento assinado. Ocupa apenas 14 folhas. Há vários anos que não há actas, nomeadamente, 1987 a 1989, 1991 a 1994, 1996, 1999, 2000, 2002 e 2004. O terceiro livro consultado contém os Autos de Posse dos Corpos Sociais, de 22 de Janeiro de 1981 a 11 de Março de 2006. Tem cerca de cinquenta folhas não numeradas. Não tem termo de abertura nem de encerramento. Está ocupado em apenas 6 folhas. Livros das Actas dos Marítimos de São Mateus Sport Clube Consultei dois livros de Actas dos Marítimos de São Mateus Sport Clube, em estado razoável de conservação, onde estão inscritas actas, tanto da Direcção como da Assembleia Geral. O primeiro tem termo de abertura, datado de 20 de Junho de 1983, não tem termo de encerramento, e contém 50 folhas não rubricadas, embora o termo refira o contrário. A primeira acta é datada de 30 de Junho de 1983 e a última de 22 de Agosto de 2002; embora a penúltima seja datada de 29 de Agosto de 1989, esta, sim, parece correcta no tempo e na ordem. Da folha 41 à 50 está em branco. O segundo não tem termo de abertura nem de encerramento e tem 50 folhas numeradas em 100 páginas, não rubricadas. A primeira acta é datada de 2 de Junho de 1990. Está preenchido até à página 88, com a acta n.º 42 de 18 de Outubro de 2006. Livro das Actas do Clube do Cantinho Consultei o livro de Actas da Assembleia Geral do Clube do Cantinho – Centro Cultural e Recreativo do Cantinho – que não tem termo de abertura nem de encerramento e contém 50 folhas não rubricadas nem numeradas. A primeira acta é datada de 31 de Outubro de 1976 e a última de 2 de Maio de 2007. Livros do Império do Cantinho Consultei quatro livros do Império do Cantinho, três deles encadernados e em bom estado de conservação, com a inscrição na capa “Império de São Francisco das Almas (Cantinho)”, e um outro em uso, com a inscrição “Império do Cantinho”. No primeiro, estão inscritas as contas do império entre 1871 e 1925, no segundo as de 1926 a 1948, no terceiro as de 1950 a 1977, e no quarto as iniciadas em 1978 até à presente data (2007), continuando no futuro. Livros do Império do Terreiro Bodo da Terra Consultei dois livros do Império do Terreiro – Bodo da Terra. O primeiro com cerca de 100 folhas, não numeradas nem rubricadas, foi adaptado de outra função oficial, visto que é um livro com riscado próprio, Mod. 595-I – Imprensa Municipalista-Lisboa, com registos de 1984 a 2005. Está em mau estado de conservação. Neste livro, estão inscritas as contas e os registos do sorteio das Coroas para cada ano. As primeiras contas são referentes a 1986 e o registo das Coroas parece ser de 1984. Tinha na capa apenas a inscrição “Livro Novo” e acrescentei “Império do Terreiro – Bodo da Terra – 1984(?) a 2005”. Aquela inscrição indica que haveria um “Livro Velho”, que não encontrei. O segundo livro, com cerca de 100 folhas, não numeradas nem rubricadas, é o que está em uso no Império, com início em 2006, Contém as contas de 2006 e 2007 e não tem quaisquer registos do sorteio das Coroas, como o anterior. Está novo e tem na capa a inscrição “Comissão das Festas de 2006 – Bodo da Terra – Terreiro S. Mateus”. Bodo do Mar Consultei um Livro de Contas do Império do Terreiro – Bodo do Mar – com cerca de 100 folhas, que foi iniciado pela Comissão de 1995/6, com as contas até 2007 e o registo das Coroas até 2008. Na última página, está inscrito os anos de aquisição das nove Coroas, excepto a primeira. Deverá ter havido outros livros dos anos anteriores, mas não se conhece o destino ou paradeiro. Livros da Festa de São Martinho Consultei dois livros da Festa de São Martinho. O primeiro é o livro de registo dos irmãos da confraria, com 150 folhas, numeradas de 1 a 150, não rubricadas, e tem na capa “S. Martinho”. Tem inscrito na primeira folha “Servirá este livro para nele serem lançados todos os nomes dos irmãos da Confraria de São Martinho, erecta na Capela do mesmo nome na Rua do Capitão-mor, São Mateus da Calheta, ano de 1985”. Segue-se o Índice das páginas para distribuição dos nomes por ordem alfabética. Tem a maioria das letras do alfabeto com nomes inscritos. Está em bom estado de conservação, mas já foram feitas contas da festa em várias folhas intervaladas e já foram retiradas algumas delas. O segundo livro é o das contas, com 75 folhas não numeradas nem rubricadas, com o termo de abertura seguinte: “Servirá este livro para nele serem lançadas todas as despesas com a construção da Ermida de São Martinho e suas Festas. São Mateus da Calheta, 29 de Setembro de 1985”. Está em estado razoável de conservação e tem as contas do ano de 1985 a 2007, até perto do meio do livro. As restantes folhas estão em branco. Jornais Locais Os jornais locais de maior tiragem, como o “Diário Insular” e “A União”, foram consultados diariamente entre 1990 e 24 de Março de 2008. Anteriormente, só em datas relacionadas com acontecimentos identificados. Jornais “O Leme” e “Jornal dos Marítimos – Consultei os números 1 e 3 de Janeiro e Julho de 1991, respectivamente, do jornal “O Leme”, e o “Jornal dos Marítimos” de 2006, sem data nem número. Jornal “A Maré” – Consultei os números todos, ou seja do 1 ao 23. O primeiro é datado de Julho de 1988 e o último do terceiro trimestre de 1992. São todos fotocopiados em tamanho A4, com algumas capas a cores. Antes desta edição, houve outra de três números, como boletim oficial da Casa do Povo de São Mateus, mas que não consultei. Contém informação muito pormenorizada e útil sobre a freguesia. “O Negrito” Boletim Informativo da Junta de Freguesia – Consultei todos os números publicados até 9 de Agosto de 2007. Ou seja, do n.º 1 ao 45. O primeiro número não tem nome, apenas “Boletim Informativo”, datado de Fevereiro de 1994, fotocopiado em papel A3, dobrado em 4 páginas A4. Foi uma iniciativa da Junta de Freguesia, empossada, em 30 de Dezembro passado, presidida por José Gaspar Rosa de Lima. O n.º 2 foi fotocopiado em A4, dobrado em 3 partes. Do n.º 3 (Maio de 1994) ao 24 (Dezembro de 97) está fotocopiado em papel A4, dobrado em 4 páginas A5. Do n.º 25 (Out.98) ao 29 (Jan/Set.2000) está impresso em tipografia no formato de jornal, 37 x 29 cm, com 4 páginas. Do n.º 30 (Out 2000/Fev. 2001) ao n.º 43 (Maio/Agosto 2006) está fotocopiado em papel A3, em 8 páginas A4. O n.º 37 (Jan/Março 2004) está impresso em tipografia, no formato de jornal, 44 x 29 cm, com 4 páginas. Do n.º 44 (Set/Out. 2006) em diante, volta a ser impresso em tipografia, em formato de jornal, 40 x 26 cm, com 4 páginas. As notas de rodapé estão de acordo com o documento, ou “Boletim Informativo”, ou Jornal “O Negrito”, embora um seja a continuação natural do outro. Contém informação muito pormenorizada e útil sobre a freguesia. Boletim Paroquial de São Mateus Consultei um boletim paroquial, intitulado “Comunidade Paroquial de S. Mateus”, datado de Dezembro de 1966, sem número, após a chegada à paróquia do padre Januário da Silva Pacheco. Consultei os números 2 e 3 do “Boletim Interparoquial”, datados de Junho de 1976 e Abril de 1977, respectivamente, das paróquias de São Mateus, São Bento e Posto Santo. Consultei também o “Boa Nova”, e estes com maior expressão informativa, dos números 82 (Ano IV) a 124 (Ano VII), datados de Páscoa de 1976 a Junho de 1979, respectivamente. São boletins da época em que paroquiou o padre Abel Noia Gonçalves Vieira. Ainda como boletim paroquial, também consultei “O Evangelho Primeiro”, n.º 2 de Abril de 2007. DIversos Escrituras em posse de Manuel Gabriel Martins Gomes. O professor primário reformado Manuel Gabriel Gomes emprestou-me um maço com 33 escrituras e um Inventário Orfanológico, datados de 1870 a 1947, relacionados com as propriedades e transacções do sogro, José de Sousa (1873-1945), conhecido por José Antonico (pai). São documentos que se referem a parte da propriedade de São Mateus, em regime de foros, dos prédios de que José Antonico era proprietário na zona do Biscoitinho. José de Sousa foi um homem com algum poder económico e de decisão em São Mateus, como o demonstram algumas actas da Junta de Paróquia de então. Relatório sobre Algas Consultei um relatório sobre a actividade das Algas nos Açores, gentilmente facultado pelo Sr. Leovegildo Nascimento Soares, que tinha escrito na capa «Desenvolvimento de algas nos Açores: esclarecimento verbal. Relatório Junho/Julho. Dr. Richard A. Fralick, consultor, USAID. Número de contrato AID/NE – C – 1639 Portugal. Apresentado ao Governo Regional dos Açores, em 8 de Julho de 1980.» Números deste Livro Este trabalho tem alguns números interessantes, que gostaria de aqui deixar: - Tamanho do ficheiro (Word+Excel) com fotos 776 MB - Telefonemas efectuados 303 - Tempo de conversação 10.746 minutos - Tempo de leitura 34.601 minutos - Tempo de escrita 82.390 minutos - Tempo de Internet 2.440 minutos - Tempo de Biblioteca 5.610 minutos - Fotocópias 3.350 - Tempo total de trabalho 2.263 horas Casa da Terra Alta, 4 de Abril de 2008. Liduino Borba (Liduino Borba no dia da apresentação em New Bedford) Senhoras e senhores, boas noites É com imensa alegria que aqui estou, junto desta maravilhosa comunidade, que sabe honrar as nossas tradições, mesmo em terras distantes. A todos, muito obrigado. Em boa hora o meu amigo Gaspar, presidente da Junta de Freguesia, teve a brilhante ideia de fazer, em primeiro lugar, o lançamento da “História de São Mateus da Calheta” junto da nossa comunidade emigrante. É mais uma prova do apresso e respeito que temos por ela. Este trabalho só foi possível porque se juntaram três vontades: a minha, para compilar toda a informação inserida no livro; a da Junta de Freguesia, na pessoa do seu presidente, o Gaspar, que assumiu a parte principal da edição; e o público, os leitores, a quem se destina o resultado desses esforços, mas que seria trabalho em vão se o produto não tivesse alguma qualidade. Este livro, de 770 páginas a cores e 623 fotos, será um marco para a história de São Mateus. Aqui estão reunidos todos os dados conhecidos sobre a freguesia e é a maior recolha conhecida alguma vez efectuada. Foram mais de 4 anos de recolha, escrita e investigação histórica, traduzidos em cerca de 2300 horas de trabalho, 3350 fotocópias, leitura de 13980 páginas, consulta de mais de 15000 páginas, mais de 1300 imagens tratadas, etc. Esse é o meu terceiro livro publicado. Primeiro, em Outubro de 2007, foi a história do Clube do Cantinho. Segundo, em Abril deste ano, João Ângelo – O Mestre das Cantorias, que retrata a vida desse grande mestre do improviso e das Velhas. Agora, a Historia de São Mateus. Outros trabalhos se seguirão. Tenho já entre mãos “A Família Contente em São Mateus”, que penso lançar em Agosto de 2010. Entretanto tenho recolhas efectuadas, em fase adiantada, para publicar um livro com mais de 700 Velhas, outro com mais de 300 Frases interessantes. Já fui contactado para fazer um livro sobre a vida e obra do Retornado, conhecido improvisador terceirense e outro sobre David Fagundes. Trabalho não falta, mas isto são tarefas das horas de descanso porque a minha vida não é esta, sou empresário de profissão e escritor nas horas vagas. Para todos um abraço, o meu sincero obrigado pela vossa presença, esperando que não se sintam defraudados com a leitura do livro. Para terminar, um público reconhecimento pela ajuda da minha amiga Maria Luiza Figo e pelo apoio da minha mulher Angelina, que com muita pena minha e dela não pode estar aqui. Tenho dito. New Bedford, 13 de Setembro de 2008 (Mário Duarte da BLU Edições no dia da apresentação em São Mateus) SAUDAÇÕES Este livro, além do seu valor de conteúdo, já muito bem analisado pelo Dr. José Elmiro Rocha, pode ser visto noutras perspectivas menos comuns. Pelo perigo que pode constituir se tiver mau uso e pela descrição das suas características físicas e tempo de execução (no que diz respeito ao trabalho do autor) relacionadas com o valor do preço de capa e forma de utilização. Este é um livro grande e pesado (3,800 Kg). Assim, é um perigo se eventualmente for usado como arma de arremesso, com consequências mais ou menos desastrosas. Visto ainda pelo peso, pela área ocupada pelas 752 páginas e pela informação do autor (pág. 26) do tempo de investigação e execução e relacionando então isso com o preço de capa, podemos chegar a conclusões curiosas. Vendido ao peso dava qualquer coisa como 10,52 € o kg, o que diga-se é uma pechincha, devido ao seu valor, tempo de uso e leitura e consequente aquisição de conhecimentos. E ainda pela sua durabilidade. Como as suas páginas + capa cobrem uma área de cerca de 58 m2, convenhamos que fica a um preço irrisório de 0,69 cêntimos o m2. Agora, visto só na perspectiva do tempo de investigação e organização gastos pelo autor, num total de 2 263 horas (ou seja, 94 dias de 24 horas sem tempo para respirar), ou 283 dias a oito horas de trabalho diário, ninguém se atreveria a pedir ao José Liduino para trabalhar 9 meses e meio por 40 €. Apesar dele ter muitos cuidados com a alimentação, não estou a vê-lo a fazer uma dieta a pão e água. Além disso pode olhar-se para este livro e pensar na sua utilização: não é muito próprio para se ler na cama quando se está deitado de costas; nem para se ler na casa de banho; nem a bordo dum avião sem incomodar o passageiro do lado. Numa mesa normal de qualquer café, vai restar pouco para a bebida e para o prato com a sandes. Lê-lo na posição de pé, não há braços que aguentem muito tempo. Os lugares melhores são: deitados de barriga pra baixo sobre uma carpete duma boa sala, ou sentados comodamente num sofá, ou numa mesa espaçosa. Feitas estas análises menos próprias, mas reais, resta-me saudar o aparecimento desta obra deste andarilho Liduino, por bibliotecas, casas, monumentos e ruas de São Mateus; conversador de muitas horas com inúmeros dos seus habitantes. Este investigador de consulta de imensos escritos e escritas cruzadas para chegar às melhores conclusões e análises. Este angariador de imagens fotográficas e outras que enriquecem e completam o que as palavras anunciam ou não dizem. Este homem cheio de paciência, pode dizer-se “de chinês”, com rumo certo, sem hesitar no propósito traçado à partida. Feitas estas análises menos próprias, mas reais, resta-me saudar este presidente que deixa que o tratemos por tu, ou por Gaspar, sem se incomodar com isso. Este presidente-deputado mais a sua equipa da Junta de Freguesia que dirigem, que compreenderam o valor desta obra para a sua freguesia e que todos os esforços envidaram para que ela aparecesse qual escultura de leitura a constar nas bibliotecas ou nas estantes das casas de cada um que se interesse e queira viajar pela história e actualidade deste lugar que se tem afirmado como marco no desenvolvimento social e económico, no contexto da ilha e dos Açores. Feitas estas análises menos próprias, mas reais, resta-me saudar e agradecer a presença de todas as pessoas que se dignaram estar hoje aqui a apadrinhar o nascimento público deste livro – 53º no espólio da BLU edições, esta pequena e única editora da Terceira, que nos tempos mais próximos, isto é até final do ano, publicará + 8 ou 9 livros, dois deles já fora do âmbito geográfico dos Açores “SUITE CABOVEDIANA” e “CALÇADA PORTUGUESA NO MUNDO”, que prefiguram o sonho de começar uma viagem para lá dos horizontes da ilha e entre estes, mais outros dois títulos: “JAZZ na ILHA TERCEIRA, 80 anos de história” (a lançar no próximo dia 2 de Outubro) e o Álbum “PRAIA DA VITÓRIA, Abraçando o Futuro”. BEM-HAJAM! 21 de Setembro de 2008 (Apresentação do Livro pelo Dr. José Elmiro Rocha) Mais um passo para o conhecimento da História desta ilha é dado hoje com a publicação destes subsídios para a História de São Mateus da Calheta; fruto de aturado trabalho de investigação e de uma vontade imensa de entender a realidade que o rodeava. Liduino Borba não se contentou em viver, pacatamente, na freguesia que lhe foi berço. Espírito irrequieto e curioso teve desde cedo necessidade de entender a razão de ser de tudo o que existia à sua volta. É dessa curiosidade, dessa sede de saber, que nasce a necessidade de procurar conhecer a razão dos factos, dos topónimos, dos acontecimentos relevantes, do património imóvel, etc. Para tal, havia necessidade de pesquisar; e pesquisar é tarefa difícil, ainda mais quando não se é investigador a tempo inteiro e se tem de combinar o trabalho diário com o de investigação. Essa dificuldade, porém, foi ultrapassada e Liduino Borba embrenhou-se na procura de bibliografia que pudesse dar resposta à sua necessidade de conhecer aquilo que, materialmente, lhe estava tão próximo e ao mesmo tempo tão distante do seu conhecimento. Paulatinamente, foi desvendando alguns casos, foi entendendo alguns acontecimentos; porém, como é natural em investigação, enquanto eram encontradas soluções para determinados factos, outras dúvidas iam surgindo para as quais havia necessidade de encontrar resposta convincente. Rapidamente se convenceu Liduino Borba que só o conhecimento integral do espaço ao longo do tempo, conseguia dar resposta satisfatória à sua ânsia de conhecimento. È neste contexto que podemos entender a génese da obra que hoje, aqui, é lançada, intitulada “Subsídios para a História de São Mateus da Calheta”; obra que cobre todas as áreas do conhecimento desde a História, a Geografia, a Demografia, a Actividade Económica, o Património, a Cultura, etc. Não é uma obra de interpretação de factos; é sim uma obra onde se faz a descrição dos factos, apoiada numa sólida bibliografia. A interpretação e crítica dos factos ficam para quem, posteriormente, se queira aventurar em semelhante tarefa. O autor, ao longo de 11 capítulos, distribuídos por 752 páginas, descreve acontecimentos e realidades que a consulta de uma extensa bibliografia lhe permitiu conhecer. Não é uma obra de interpretação, nem uma obra de cabeceira (até pela sua dimensão), mas é uma obra de consulta obrigatória para quantos pretendam encetar qualquer tipo de estudo, em qualquer área, sobre a freguesia de São Mateus da Calheta. A partir de hoje ninguém se poderá acobertar com a falta de bibliografia para deixar de elaborar qualquer estudo que à localidade diga respeito. Todas as áreas do conhecimento foram tratadas e para todas é indicada abundante bibliografia para quem as quiser aprofundar. A sementeira foi feita, germinaram e cresceram as plantas, cabe agora a cada um colher as novidades que mais lhe interessarem. Serve-se Liduino Borba para a construção da sua “História de São Mateus da Calheta” (e esqueço propositadamente os subsídios, porque não se trata aqui de nenhuns subsídios, mas de uma obra completa sobre a localidade) de fontes escritas (manuscritas e impressas) e orais, exaustivamente referidas, como podemos verificar de p. 18 a 26, seguindo-se, com a finalidade de contextualizar o trabalho, um capítulo intitulado “Cronologia e História”; geral até p. 57 e daí em diante reservado aos autores, por ordem cronológica, que, por algum motivo, à localidade se referiram, começando com Valentim Fernandes (1507) e terminando em “Genealogias da ilha Terceira” da autoria de António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz, editada o ano passado. A completar esta já extensa bibliografia, o autor reserva, ainda, 13 páginas (p. 739 – 752) para as listagens dos testemunhos orais, (p. 739 – 740), das obras lidas na íntegra (p. 741 – 742), das obras consultadas (p. 742 – 745), das publicações, panfletos e prospectos (p. 745 – 746), dos jornais, vídeos, Cds e INTERNET (p. 746 – 747), para terminar com a lista de fotografias e imagens utilizadas (p 749 – 752). É a partir de p. 85 que tem início a descrição da freguesia de São Mateus da Calheta. É a partir daqui que podemos satisfazer a nossa curiosidade quanto à origem do topónimo: Calheta, Prainha e, finalmente, São Mateus. Neste 2.º capítulo, não há caminho, rua, canada, travessa, beco, atalho ou urbanização, mesmo as mais recentes, que não seja contemplado com uma descrição pormenorizada, sempre complementada com a indicação dos autores ou obras de onde foram colhidas as informações, metodologia que é seguida desde o início ao fim da obra, dando oportunidade a quantos se queiram debruçar mais profundamente sobre qualquer tema aqui tratado. O capítulo 3.º é dedicado à demografia e nele podemos seguir a evolução da população da freguesia desde 1568 (180 habitantes, distribuídos por 40 fogos), até 2007, data em que conta com cerca de 3 400 habitantes. São vários os quadros onde podemos comparar o evoluir da população da freguesia face á totalidade da população açoriana e à totalidade da população terceirense. A partir de 1780 existem quadros que nos elucidam sobre a distribuição dos habitantes pelos diferentes lugares da freguesia, permitindo, assim, conhecer os sítios de maior densidade populacional e aqueles onde a evolução foi mais ou menos acentuada em termos de população. Preciosas informações, extraídas a partir de róis de confessados, que felizmente existem na BPARAH, permitiram a Liduino Borba estabelecer uma ligação directa entre os habitantes e os lugares de residência na freguesia. Os róis de confessados referem, rua a rua, todos membros de cada família em idade de confissão. São fontes importantes, não só para o conhecimento da dimensão das famílias e dos laços familiares dos elementos de cada agregado, mas também para se conhecer a evolução do povoamento de determinada localidade, o aparecimento de novos sítios povoados, a densidade populacional de determinada zona, etc. Existem róis de confessados, para a freguesia de São Mateus, desde 1780 até 1966, num total de 93 livros. As actividades económicas existentes ou que existiram na freguesia, ocupam o capítulo 4.º, a partir de p. 271. Como não podia deixar de ser, a pesca e a caça à baleia têm lugar de destaque. No entanto, todas as outras actividades, como a indústria, o comércio, as artes e ofícios, os serviços, o artesanato, o turismo e os vendedores ambulantes, são descritos tendo em conta o peso e a relativa importância que tiveram na ocupação das gentes que na localidade residiram ao longo do tempo. No capítulo 5.º, um dos mais extensos, (p. 337 - 475) Liduino Borba coloca à nossa disposição um manancial de informações que nos permitem conhecer, detalhadamente, a história dos fortes, quintas, igrejas, ermidas, impérios, etc. É, quanto a mim, um dos capítulos que mais curiosidade desperta por conseguir dar resposta a inúmeras dúvidas e interrogações existentes sobre património construído em São Mateus. Pacientemente, foi o autor reunindo elementos sobre cada um dos edifícios ou propriedades, recorrendo a testemunhos orais para completar o que lhe faltava das informações colhidas em bibliografia impressa ou em outras tipologias documentais, de que são exemplo os livros do Registo Predial. As festas da freguesia, bem como outras manifestações culturais, ocupam o capítulo 6.º São descritas as festas religiosas e profanas e dada especial atenção à festa brava, tão apreciada na freguesia, ao ponto de em 2005, 2006 e 2007 ter ficado em 1.º, 3.º e 2.º lugares, respectivamente, no computo geral das touradas da ilha. Também merecem destaque, as manifestações teatrais, os cantadores e artistas, os escritores, poetas e pintores; tudo descrito desde os tempos mais remotos até à actualidade. O capítulo 7.º (p. 583 - 620) é reservado a todos quantos queiram conhecer a história das colectividades e associações existentes, ou mesmo aquelas que o tempo não poupou, mas que alguma influência tiveram na vivência dos paroquianos de São Mateus. À semelhança do que acontece nos capítulos antecedentes, todas as informações coligidas para cada colectividade ou associação são organizadas cronologicamente, havendo, sempre, o cuidado de mencionar, em nota de rodapé, as fontes de onde foram extraídas. A metodologia seguida é sempre igual em todos os capítulos: a seguir a uma lista dos informes colhidos nas fontes de referência, ordenados cronologicamente, segue-se uma descrição a completar a informação reunida para cada colectividade ou associação; dados que nos permitem conhecer com grande detalhe os sucessos e insucessos de cada organização. Os capítulos 8 e 9 são reservados ao ensino e à política, respectivamente. No 1.º (p. 621 - 644) descreve-se o percurso evolutivo de todos os graus de ensino, incluindo o profissional; no 2.º (p. 645 - 700) descreve-se o percurso das forças e actividades políticas que, desde 1975, influenciaram, politicamente quantos aqui residem ou residiram. É também neste capítulo que é reservado uma secção (a partir de p. 684) para descrever a evolução político-administrativa da Junta de Paróquia ou de Freguesia desde a sua criação até aos nossos dias. Liduino Borba teve o cuidado e a paciência de compilar, e de reunir em quadros, todos os elementos que compuseram a Junta de Paróquia ou de Freguesia, de São Mateus desde 1834 até à actualidade (2005). Para finalizar, escolheu o autor um capítulo intitulado “Catástrofes e tragédias”. Permitam-me que discorde de semelhante título para finalizar uma obra desta natureza. Quanto a mim a obra finalizaria com um capítulo cujo título seria”Virtudes e sucessos”, onde se inscreveria como último sucesso a publicação deste livro, cujo lançamento hoje aqui tem lugar. Parabéns a Liduino Borba por ter escrito tão importante trabalho; Parabéns à Junta de freguesia por ter reunido os apoios para o publicar e parabéns à Editora BLU por ter editado os Subsídios para a História de São Mateus da Calheta. São Mateus 21 de Setembro de 2008 (Liduino Borba no dia apresentação em São Mateus) Senhoras e senhores, boas tardes É com imensa alegria que aqui estou na companhia de todos vós, gente da minha freguesia e não só. Agradeço as palavras elogiosas dos oradores anteriores. É um dia importante para mim porque é o culminar de mais de 4 anos de trabalho, que ficam para as gerações futuras. Talvez o que de melhor podia deixar à minha freguesia – a sua História. Este trabalho só foi possível porque se juntaram vontades: a minha, para compilar toda a informação inserida no livro; a da Junta de Freguesia, na pessoa do seu presidente, o Gaspar, que assumiu a parte principal da edição; a editora BLU, na pessoa do Mário Duarte, que apresentou mais um excelente trabalho gráfico; e o público, os leitores, a quem se destina o resultado desses esforços. São Mateus é uma freguesia da história e com história. Todos os acontecimentos históricos do país, dos últimos 500 anos, tiveram alguma repercussão na freguesia. O povoamento da ilha Terceira inicia-se pela zona delimitada entre Angra e Praia, depois de 1450, mas já no ano de 1487 Pêro Anes do Pombal possuía terras na zona da Canada do Pombal. Por volta de 1540 a Quinta do Terreiro (hoje dos Contentes) já existia. A Quinta de São Diogo já existia em 1560 e a de Merens em 1600. São Mateus nasce com o povoamento, porque este é muito limitado até ao ano de 1500. A horrorosa entrada dos espanhóis na ilha Terceira, a 26 de Julho de 1583, pela zona marítima de São Sebastião, podia ter sido por São Mateus. Algum tempo antes, um tal Belchior Afonso, morador na freguesia, partidário de D. Filipe, deu informações precisas sobre a possível zona de entrada, que parece ter sido a baía de São Mateus. Tal atitude foi a causa da sua condenação à tortura, morte e esquartejamento, ainda no tempo de Manuel da Silva. No tempo da ocupação espanhola houve, em São Mateus, partidários dos dois lados. A Restauração de 1640 também teve a participação de fidalgos das quintas de São Mateus, nomeadamente da Quinta de Merens, na pessoa de André Fernandes da Fonseca. Era pároco da freguesia Francisco Vasconcelos de Meireles, também da mesma quinta. O período Pombalino, como em todo o país, foi conturbado também na Terceira e as famílias das quintas, que faziam parte da governança da ilha, tiveram algum destaque. O período do Liberalismo, na primeira metade do século XIX, também foi vivido em São Mateus por pessoas das quintas que faziam parte da governança. Foi a época da instituição das Juntas de Paróquia, que acontece, em São Mateus, em 1835. De salientar que, entre 1807 e 1850, foi vigário Teodoro Alexandre da Gama durante esses 43 anos, para se seguir Manuel Inácio da Silveira Campelo por 32 anos, até 1884. A implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, apanha São Mateus envolvido na parte final duma grande obra, a sua Igreja Nova, participada e apoiada por uma grande parte da população. Esta revolta, muito contra os poderes da igreja de então, provoca alguns dissabores ao padre Manuel Maria da Costa, vigário de então, homem forte do poder diocesano, segundo documentos que consultei. Digamos que o 5 de Outubro não foi muito bem recebido pelos poderes instituídos na freguesia. A época do estado novo, que vem até 1974, conhece dois períodos distintos. O primeiro, de 1919 a 1966, o padre Luís Casimiro, com 51 anos a paroquiar a freguesia. O segundo, de 1966 a 1975, com o padre Januário da Silva Pacheco, a que se junta o professor Manuel Gabriel, então presidente da Junta de Freguesia, e outros homens de bem, que abraçam com muita força as mudanças do 25 de Abril de 1974. Embora por 4 anos, o padre Abel Noia também teve uma passagem muita positiva pela freguesia, entre 1975 e 1979. Foi este grupo, liderado por Manuel Gabriel, que fez acontecer muitas coisas, que mudaram, para melhor, a vida das gentes da nossa freguesia, até aos anos 80. O sismo de 1980 apanhou a Junta de Freguesia divida em querelas internas e seguiram-se alguns tempos difíceis para as populações, também por força dos acontecimentos. Foi a meados desse ano que o padre Vasco Parreira toma posse como pároco. Foram anos difíceis para a reconstrução da Igreja Nova, Ermida do Cantinho e da Luz. Nos anos 90, tomou posse como presidente da Junta de Freguesia o actual presidente José Gaspar Rosa Lima. Não posso deixar de referir o contributo positivo que tem dado à nossa freguesia. A história é feita por pessoas que se empenham mais ou menos, conforme as suas convicções. O século XX, em São Mateus, fica marcado por 4 nomes que souberam liderar equipas: o padre Manuel Maria da Costa, grande obreiro da Igreja Nova; o padre Luís Casimiro, que muito se esforçou para que a freguesia vingasse, tendo morrido pobre como os pobres; o professor Manuel Gabriel Martins Gomes que liderou um época de grandes mudanças; e José Gaspar Rosa de Lima, actual presidente da Junta e deputado regional, que soube dar seguimento a alguns trabalhos iniciados e começado outros importantíssimos, que mudaram a fase de São Mateus. Foi minha preocupação fazer uma história da freguesia de São Mateus com a identificação clara dos acontecimentos, das datas ou épocas que aconteceram e, principalmente, com os nomes das pessoas intervenientes. O meu público reconhecimento pela revisão do texto, feito pela D. Maria Luiza Figo e à minha mulher pelo apoio que sempre me deu. Espero que tenha deixado algo de útil à minha freguesia. A todos, muito obrigado 21 de Setembro de 2008 David Fagundes – Versos duma Vida
Título: David Fagundes – Versos duma VidaData de lançamento: 12 de Abril de 2009, Fonte Bastardo Formato: 162x221 mm Páginas: 280 Imagens: 63 Edição: Do Autor Tema: Biografia de um repentista. Índice Prefácio Nota do Autor 1 - Uma vida 2 - Uma família 3 - Uma profissão 4 - Participação Social 5 - Escritos 5.1-Velhas 5.2-Marchas, etc. 5.3-Outros versos 5.3.1 - Aniversários e Baptizados 5.3.2 - Cartas 5.3.3 - Óbitos 5.3.4 - Natal, Ano Velho e Ano Novo 5.3.5 - Cantigas ao Desafio 5.3.6 - Quadras e Outras Rimas 6 - Cronologia Bibliografia Prefácio Em tempo de globalização e massificação, e numa era marcada pela mistificação e pela desidentificação, há, nas ilhas dos Açores, um punhado de estudiosos atentos à realidade local e dispostos a contribuir para a valorização cultural e histórica das suas comunidades. Liduino Borba é um desses historiadores locais que, numa linha de contínua e continuada pesquisa, vem mostrar e demonstrar que é a partir da História local que se chega á História universal. De resto, e num outro contexto, já no-lo havia lembrado Miguel Torga: “O local é o universal sem paredes; (…) quanto mais local, mais universal”. Há grandeza em ser-se historiador local. Gaspar Frutuoso, Frei Agostinho de Mont´Alverne, Frei Diogo das Chagas, entre tantos outros que lhes sucederam, foram também historiadores locais e hoje não podemos passar sem eles. Por conseguinte, quero saudar o rigor e a paixão que Liduino Borba tem vindo a imprimir sobre a historiografia local, nomeadamente nos estudos que vem efectuando sobre pessoas, acontecimentos e instituições ligados à ilha Terceira. Ultimamente este autor tem vindo a trabalhar em materiais de literatura popular, sendo este livro o testemunho disso mesmo. Aqui se dá a conhecer um terceirense, David Fagundes, homem do povo, que escreve versos como quem cultiva a terra. Sáo versos de uma vibrante sinceridade e que, captando momentos da sua vida vivida, retratam, de forma admirável, pedaços da geografia física, afectiva e humana da Terceira. As 370 espécies de Velhas por ele escritas e aqui recolhidas dão bem a ideia da agudeza de espírito, do humor sagaz, da capacidade de ironia e de sarcasmo deste poeta popular. Fazer humor numa décima não é fácil, nem é para todos – só para os que possuem o dom inato do improviso. E, no entanto, estamos na presença de um versejador sui generis, jáque escreve Velhas mas não as canta em público porque, assumidamente, recusa-se a participar em cantorias. Na Velha n° 14, diz-nos, claramente, que não se quer expor:
“Cantar as Velhas não devo A grandeza da arte poética de David Fagundes está precisamente nessa espontânea força criadora. Porque estes são versos de circunstância (aliás, toda a poesia é de circunstância), quer o autor cante as licenciosas velhas, quer escreva sobre os afectos que devota a familiares e amigos. Exprimindo-se em quadras, quintilhas, sextilhas, oitavas e dácimas, expressando-se em versos que deixou escritos em cartas, marchas, cantigas ao desafio (estas últimas enquanto mero exercício de escrita), ou lembrando efemérides, aniversários, baptizados, óbitos, viagens, natais, coisas vividas, sentidas e evocadas, David Fagundes revela-se sempre como um verdadeiro artífice da palavra, trabalhando-a oficinalmente. Por outro lado, este terceirense veicula, nos seus versos, uma inabalável fé cristã, escrevendo, com os olhos da memória, sobre o fluir do tempo, a saudade, a distância, a ausência, a viagem, o afecto, o amor, a vida e a morte no registo mais sentido de uma escrita pessoalíssima e profundamente humana. Eis um homem que através das suas rimas se dá aos outros, ele que é portador de uma conscincia crítica e de um apurado sentido de justiça, dando disso conta no que escreve e na maneira como escreve. O curriculum académico nada tem a ver com a capacidade de versejar. Esta capacidade poética tem raízes fundas e profundas nas cantigas de amigo, nas cantigas de escárnio e maldizer e nos cantares de gesta medievais, de que o cancioneiro e romanceiro açorianos são exemplos valiosíssimos. Por outro lado há a considerar aquilo que sempre foi uma característica da cultura popular açoriana: a oralidade. Quero com isto dizer que David Fagundes dá, hoje, forma e conteúdo a toda uma tradição poética e musical de que é herdeiro. Saúdo, com apreço e admiração, estes Versos duma Vida, trabalho de muito empenho e mérito. Bem documentado e informado, Liduino Borba dá, à presente obra, tratamento criterioso e meticuloso, ele que, bem apetrechado em termos teóricos, possui a capacidade de informar, esclarecer, decifrar e avaliar. O que, à partida, poderia ser meros escritos para memória familiar, torna-se, afinal, num livro de muito interesse que se lê com enorme prazer – e, no que às Velhas diz respeito, com hilariante fruição... Imperioso é que se continue a trabalhar no domínio da recolha e divulgação de materiais de literatura oral. Fazendo-o, estaremos a contribuir decisivamente para a preservação da nossa memória colectiva de povo insular, isto é, da nossa identidade cultural. Horta, 6/02/2009 Victor Rui Dores Nota do Autor O meu conhecimento sobre a existência de David Fagundes, como repentista, aconteceu numa conversa com Norberto Bettencourt, funcionário do Museu de Angra e proprietário d’"O Arado", aquando da minha recolha de Velhas, em 2005, para a publicação de um livro, que poderá conter cerca de um milhar delas, distribuídas por cerca de meia centena de autores. Já conhecia David Fagundes há muitos anos, como Guarda Fiscal, devido ao meu trabalho na Agência dos Barcos da Praça Velha, entre 1970 e 81, mas não como escritor de muitos e bons versos. Também me parece que o conheci mais em pormenor, se não me engano, quando tive um pequeno problema com a Guarda Fiscal, com os meus 14/16 (?) anos. Explico. O meu amigo de infância tinha-me pedido dinheiro emprestado e, sem condições de o pagar, alegou que tinha sido multado, nos Regatos, pelo Guarda Fiscal José Luís, devido ao uso nocturno indevido de um foco (coisas de rapazes…). A minha sede de justiça levou-me a denunciar tal acto aos responsáveis da entidade patronal. Em poucas horas foi levantado o maior “barulho” que tinha assistido até àquela data. Eu, o meu amigo e o pai dele comparecemos no “banco dos réus” da Guarda Fiscal para esclarecer tal denúncia. Quando percebi a mentira, em que tinha sido levado, senti uma vergonha tão grande que nunca mais consegui falar com o senhor José Luís. Com a agravante de este senhor me dar boleia todos os dias que passava por mim, no seu trajecto de São Bartolomeu para Angra do Heroísmo. Para ele as minhas públicas desculpas. Não chegou a ler estas palavras porque faleceu a 10 de Fevereiro de 2009. Depois da conversa com o Norberto Bettencourt, que serviu de elo de ligação para a minha conversa com David Fagundes, em 2005, pedi a este se me queria facultar as Velhas que tinha escrito para incluir no livro a publicar. Aceitou, mas foi-me dizendo que as tinha dispersas e que as forneceria mais tarde. Assim aconteceu com a entrega de 60 Velhas originais, num género de Volta à Ilha, ideia original, que arranja uma Velha para cada freguesia, curato, ou local conhecido. Por esta data, conversámos mais um pouco e fiquei a saber que tinha muito mais escritos em versos e com qualidade aceitável. David Fagundes mostrou algum interesse em deixá-los gravados para os familiares e amigos, o que achei bem. Mas os meus trabalhos, então a entrar na recta final – “João Ângelo – O Mestre das Cantorias” e “História de São Mateus da Calheta” – levavam-me a não ter quaisquer veleidades sobre mais um livro. Em Julho de 2008, numa conversa junto ao semáforo do Fanal, voltámos a falar na hipótese de fazer um livro. Essa ideia foi aprofundada numa conversa que tive com David Fagundes e a D. Valentina, na sua casa na Rua do Cruzeiro, em Setembro do mesmo ano. Combinada a forma de editar o livro, comecei a trabalhar a ideia da sua estrutura, que deu este resultado. Os escritos de David Fagundes são mais do que uma recordação para os familiares e amigos, como ele gostaria que fosse. São versos para ficarem para a história dos repentistas, improvisadores, poetas populares, etc. da nossa cultura popular, por abrangerem uma variedade de temas, que por vezes apetece perguntar o que é que David Fagundes não tratou em verso. Nos seus versos tem uma palavra de agradecimento e reconhecimento à mulher, pela guarda que fez dos escritos no fundo duma gaveta, quase desconhecida dele. Mesmo guardados por D. Valentina, havia alguns escritos que ela desconhecia, nomeadamente dirigidos a namoradas que David teve antes dela. Nem isso foi motivo de discórdia entre o casal. Muitos dos grandes escritos são de 1959 e 60, tempo do serviço militar, e, de 1963 a 66, na Guarda Fiscal, na ilha de Santa Maria, quase todos escritos à máquina. A década de setenta não foi fértil em escritos, que voltam na de oitenta, em maior quantidade, para se desenvolveram muito mais com a sua reforma na de noventa, sempre com a mesma qualidade, tendo alguns, nos últimos anos, uma métrica um pouco alongada. As Velhas, começadas na década de oitenta, têm mais desenvolvimento nos anos deste século. Alguns dos seus escritos aqui transcritos foram passados de talões de compras do “Guarita”, de papéis amarrotados pelo tempo ou de simples pedaços de papel encontrados ao acaso, onde anotava uns versos que lhe foram solicitados nas mais variadas situações. Valeu a pena tirar da gaveta todos esses escritos. Números deste Livro
Casa da Terra Alta, São Mateus, 1 de Março de 2009. _________ Palavras de David Fagundes no dia do lançamento: Pela minha parte cabe-me dar a boa tarde a todos sem distinçõo. Não vos vou falar do livro porque já grande parte foi dito e o que falta ele próprio o dirá a quem o adquirir. Quero apenas fazer alguns agradecimentos que no fundo é o meu dever. Em primeiro lugar quero agradecer à Câmara da cidade da Praia da Vitória na pessoa do seu Vereador do pelouro da cultura, Sr. Paulo Codorniz. Em segundo lugar, ao Presidente da Junta desta Freguesia, Sr. Martinho Dinis e seus colaboradores, por nos terem disponibilizado este salão para o lançamento deste livro, integrado no âmbito da iniciativa “Onda Cultural”, que a Câmara da cidade já citada, tem vindo a realizar nas suas freguesias. Em terceiro lugar, quero agradecer ao autor deste livro, Sr. Liduino Borba, a sua iniciativa e o entusiasmo demonstrado no trabalho que desenvolveu, uma vez que foi ele que na posse de todos os textos, tratou de os organizar, transcrever e ordenar cronologicamente de forma a recriar os acontecimentos retratados neste livro. Para além disso, foi também ele que, de forma persistente, orientou todo o processo de publicaçõo e lançamento desta obra. Gostaria, também, de agradecer de forma muito especial ao Dr. Victor Rui Dores, que teve a gentileza de fazer o prefácio deste livro e se deslocou propositadamente do Faial, onde reside, a esta ilha a convite da Câmara deste concelho, a quem agradeço. Também quero agradecer aos apoiantes do livro em causa, tais como: - Ao Sr. Representante da República para os Açores, Por fim, quero dizer publicamente obrigado às minhas filhas que me encorajaram e entusiasmaram a levar em frente este livro. Assim como e dum modo muito especial à minha mulher a quem devo este livro, e devo-lhe (dizia eu) porque foi ela que tudo guardava quanto eu fazia. Eu fazia versos em todos os lugares onde me encontrava e por onde passava, sobre o que via e ouvia e escrevia-os em qualquer pedaço de papel que tivesse no bolso, até mesmo em talões de pagamento do Guarita ou do Modelo. Escusado será dizer que, em casa, sobre a mesa de cabeceira, cómoda ou balcão da cozinha, havia sempre escritos meus, fora os que eram encontrados nos bolsos da roupa que vestia. Então ela quase tudo guardou e eu já nem contava com a sua existência. Por tudo isto, mais uma vez o meu obrigado em público.
Para além do pouco que eu disse e do muito que disseram, quero agradecer à freguesia proprietária deste especial salão, agradecendo também a todos os presentes que vieram para ouvir a moda dos reis desta freguesia e as danças que se seguem, mas que se dignaram a manter a sua presença junto dos convidados para este lançamento (Versos duma Vida). A todos o meu muito Obrigado 12 de Abril de 2009-04-16 David Fagundes Visita às Ilhas
Título: Visita às IlhasData: Agosto de 2009 Formato: 145 x 210 mm Páginas: 40 Imagens: 37 Edição: Autor, com impressão particular Tema: Cronologia da viagem de familiares, vindos da Califórnia Almoço n’o Cantinho do Patrão
Título: Almoço n’o Cantinho do PatrãoData: Outubro de 2009 Formato: 145 x 210 mm Páginas: 11 Imagens: 19 Edição: Autor, com impressão particular Tema: Almoço de homenagem a Hélder Costa 64 – O Toiro das Mulheres
Título: 64 – O Toiro das MulheresData de lançamento: 14 Março de 2010 Formato: 135 x 200 mm (com DVD anexo) Páginas 176 Imagens 98 Edição: Turiscon Editora Tema: Vida, peripécias e morte do toiro mais internacionalizado A Família Contente em São Mateus da Calheta
Título: A Família Contente em São Mateus da CalhetaData de lançamento: 6 de Agosto de 2010 Formato: 180 x 270 mm Páginas: 448 Imagens: 626 Edição: Turiscon Editora Tema: Retrata uma das famílias com maior importância social na freguesia. Adelino Toledo – Uma Voz na Diáspora
Título: Adelino Toledo – Uma Voz na DiásporaData: 10 de Junho de 2011, Fontinhas Formato: 150 x 195 mm Páginas: 240 Imagens: 80 Edição: Turiscon Editora Tema: Biografia do improvisador mais admirado na Califórnia. Chafariz da Cerveja
Título: Chafariz da CervejaData: 17 de Junho de 2011, Lameirinho Formato: 115 x 170 mm Páginas: 144 Imagens: 135 Edição: Turiscon Editora Tema: História do único chafariz que corre cerveja. 1958 - Tragédia na Serreta
Título: 1958 – Tragédia na SerretaData de lançamento: 22 de abril de 2012, na Serreta Formato: 115 x 180 mm Páginas: 72; Imagens: 28 Edição: Turiscon Editora Tema: Morte de Celeste, no Pico, na segunda-feira da Serreta. Charrua 1910 – 2010
Data de lançamento: 29 de abril de 2012, nas Cinco RibeirasFormato: 150 x 195 mm Páginas: 152; Imagens: 43 Edição: Turiscon Editora Tema: Centenário do maior improvisador dos Açores. A Irmandade do Espírito Santo de Turlock
Título: A Irmandade do Espírito Santo de TurlockData de lançamento: 30 de maio de 2012, Turlock Formato: 190 x 260 mm Páginas: 296; Imagens: 288 Edição: Turiscon Editora Tema: História dos 100 anos da Irmandade. Para compra das obras publicadas Livros a Publicar
O Rei da Batata Doce
Título: O Rei da Batata DoceData de lançamento: 30 de junho de 2012, no Pico, e 17 de Junho de 2012, em Turlock Formato: 145 x 225 mm Páginas: 384; Imagens: 373 Edição: Turiscon Editora Tema: Biografia de Manuel Eduardo Vieira. Forcados Amadores de Turlock
Título: Forcados Amadores de TurlockData de lançamento: novembro de 2012, Turlock Formato: 193 x 255 mm Páginas: 300; Imagens: 260? Edição: Turiscon Editora Tema: História dos 35 anos da Associação. “Arquivo de São Mateus” “Famílias de São Mateus da Calheta”
Título: Famílias de São Mateus da Calheta Data de lançamento: 2011(?) Formato: (?) Páginas: (?) Imagens: (?) Edição: (?) Tema: Genealogias da freguesia “As Velhas”
Título: As Velhas
Data de lançamento: (?) Formato: (?) Páginas: (?) Imagens; (?) Edição: (?) Tema: Recolha e arranjo de mais de 700 “Velhas”, de quase meia centena de autores. “Frases interessantes”
Título: Frases interessantes
Data de lançamento: (?) Formato: (?) Páginas: (?) Imagens; (?) Edição: (?) Tema: Recolha de mais de 300 frases interessantes Escritos Publicados
A União de 18 de Novembro de 1998
TRIBUNAIS, ESCRITURAS, PREDIAIS E MUITO MAIS... * ZÉ RATIM Li um dia destes um artigo, intitulado “A minha casa ainda por acabar” publicado no jornal “A UNIÃO”, do dia 6 de Novembro p.p., escrito pelo meu “conhecido” José Francisco Nogueira, que me mexeu com os “parafusos” todos. Não por achar ser impossível acontecer nos dias de hoje, mas por ser a ponta de um iceberg que com um pouco de “calor” vai derreter e afogar muita e boa gente. Para além de outras razões, o caso do Nogueira faz-me lembrar bons dias da minha infância. Eu fui criado a 100 metros dali, tenho 42 anos, conheci a Canada de S. Vicente com a Ermida, a casa do Sr. Brivaldo e o Alambique do Sr. Basílio Simões, muito diferente da avenida que é hoje. Até tínhamos medo de passar ali a determinadas horas, podia aparecer o Fifi... Meu pai fez de renda, durante alguns anos, aqueles cerrados onde hoje o Nogueira tem a sua casa. Muitas horas passei ali a trabalhar a terra, conheço aqueles cantos todos. Também me lembro do dia em que “roubei” uma melancia ao vizinho, convidei um amigo de infância, que hoje é polícia, para comê-la, mas antes de acabarmos minha mãe foi avisada do sucedido e eu levei porrada até a casa... O caso do Nogueira é um entre muitos que andam no Tribunal, no Predial, no Cartório, nas Finanças, na Câmara ou noutra repartição qualquer à espera do “seu dia”. Só que por vezes esse dia demora a chegar e as pessoas desesperam. O Nogueira não aguentou mais e fez chegar o seu protesto à comunicação social. Muito Bem. Mas há muitos “Nogueiras”, que por variadíssimas razões estão calados... Todos estes atrasos e problemas giram à volta de duas coisas: o pessoal e o sistema. Quanto ao pessoal temos o problema de falta de pessoal, o pessoal que faz das tripas coração para resolver as situações, o pessoal que dá um “jeitinho” e o pessoal que só cria mais problemas. Quanto ao Tribunal de Angra não sei muito porque tenho pisado pouco aquela porta. Mas já ouvi muita gente se queixar. Já ouvi advogados dizerem “se foi para a secção tal, que bom porque não funciona...” ou vice-versa. Em relação ao Predial há muito que dizer. Primeiro tem sido um vai e vem de conservadores/as cada qual com a sua forma de trabalhar. Quando parece que está quase tudo em ordem... lá vem outro conservador/a. Depois é o sistema de atendimento ao público que deixa muito a desejar. Tanto perde lá duas ou três horas quem só quer saber se o serviço está pronto, como aquele que precisa de coisa mais demorada. Um dia ouvi um funcionário do Predial dizer alto e bom som “só se regista prédios aqui... e é preciso ter dinheiro...” Quanto ao Cartório Notarial as coisas pioram um pouco. A maioria das pessoas com quem tenho falado e que têm tido necessidade de recorrer aquele serviço não podem falar pior. O atendimento é (ou era?) todo concentrado na Notária, como que passando um atestado de “incompetência” aos bons funcionários que o Cartório tinha e tem. A exigência de documentos, ou pormenores desses documentos, vai muitas vezes para além do aceitável. A exigência de pessoas em actos notariais também passa às vezes os limites impostos por lei. A desconfiança sobre o contribuinte é total. Tudo, ou quase tudo, tem que ser provado com papeis. As pessoas desesperam e com razão. Há dias um amigo meu dizia-me “o excesso de zelo também é punido por lei...” Aguardo sentado para não cansar. Nas Finanças também as coisas não vão bem. Aqui nota-se uma grande vontade dos funcionários resolverem tudo quanto podem. Parece-me não mentir se afirmar que a comissão de avaliações (descriminações) não funciona desde Junho, por falta de verba e só funcionará no inicio do ano (Fev?). A falta de funcionamento desta comissão deixa tudo parado quanto a assuntos de prédios e escrituras. É inadmissível que o Ministro da Republica não resolva uma coisa tão simples e que prejudica tanta gente. A Câmara Municipal também tem os seus “pecados” nesta história. Tratar de um loteamento é coisa para um ano, se correr bem e não sair enganado. Aprovar um projecto não deve ser muito menos. A Câmara de Angra continua a reunir de 15 em 15 dias. É muito tempo de intervalo. Nos dias que correm as decisões tem que ser muito mais céleres. Ao contrário do que acontece presentemente, eu acho que quando aparecesse um contribuinte na Câmara com vontade de fazer alguma coisa - uma casa, por exemplo - deviam andar com ele “ao colo”. São essas pessoas que fazem funcionar parte da economia deste país. Um dia ouvi o candidato à Câmara de Lisboa e ex-ministro das obras públicas (ou coisa parecida) Eng.º. Ferreira do Amaral dizer que um projecto na Câmara de Lisboa passava em 162 lugares para ser aprovado. Apeteceu-me responder: perdeu uma boa oportunidade de acabar com metade enquanto foi ministro. Nestas andanças ainda aparece pelo meio, o Gabinete da Cidade, as Obras Públicas, o Ambiente, os Bombeiros, a EDA e outros que não me lembro. São tantos... No que diz respeito a “escrituras”, o engraçado desta história é que isto tem solução. A Câmara trata dos loteamentos e recebe o dinheiro da contribuição autárquica. O loteamento não é mais do que autorizar a divisão do terreno. As Finanças descriminam o loteamento de forma a nascerem os artigos respectivos para depois receberem a contribuição autárquica e entregarem à Câmara. O Predial regista os prédios como forma de provar a propriedade deles. O Cartório faz a venda desses prédios mediante escritura entre as partes. Basta uma destas repartições enganar-se em qualquer coisa que está a desgraça feita. Isto podia e devia funcionar num só lugar ou repartição e de forma simples. Isto foi dito e explicado pessoalmente ao Primeiro Ministro quando passou aqui pela Terceira. Ele achou interessante e agradeceu... Há um grupo de trabalho constituído para estudar as alterações à Contribuição Autárquica, julgo que liderado pelo ex-ministro das finanças Dr. Medina Carreira. Dizer como o meu vizinho “façam serão, para ver se ainda sou beneficiado...”. Aproveitem esta oportunidade de fazer algo para bem de toda a gente. Uma reforma é uma coisa muito séria. O que está mal é o sistema. Esse é que tem de ser alterado, caso contrário continuamos a ter problemas grandes com coisas simples de resolver. Nem mesmo os Notários Privados poderão passar por cima do sistema. Diário Insular de 29 de Janeiro de 2004
ALTERAÇÃO DO SISTEMA ELEITORAL REGIONAL DOS AÇORES MAIS DEPUTADOS? NÃO. TENHAM VERGONHA! Zé Ratim Sobre as propostas de alteração do Sistema Eleitoral Regional muito se tem falado e escrito e ainda muito está para vir. Do que tenho ouvido e lido foram sempre só opiniões e posições de quem usufrui do sistema. Ou seja, de quem não quer nem pode pô-lo em causa. Não fiz qualquer recolha de Leis ou dados para o que vou escrever, pelo que qualquer dado menos correcto é por “ignorância” e não má intenção. Também será uma vantagem não saber de certas legalidades constitucionais, só importantes para quem vive delas, porque como simples cidadão poderei defender melhor a minha opinião de que temos DEPUTADOS A MAIS e não a menos. Há uns anos, aquando do problema fiscal com os clubes de futebol, alguém dizia que o problema do futebol era dinheiro a mais e não a falta dele. Com os deputados à Assembleia Regional é o mesmo: o problema é deputados a mais. Para que fique bem claro, eu sou a favor da existência da Assembleia Regional. Acho muito interessante a representação dos chamados partidos pequenos. Tem trazido muitas coisas boas à Autonomia. A pluralidade é um grande valor da democracia. Mas tem limites. Se quisermos defender a pluralidade no seu ponto mais forte teríamos então de ter representados todos os outros pequenos partidos na Assembleia Regional. Não é possível. A democracia tem os seus limites de representação. Não podemos acrescentar o avião para os passageiros que temos. O avião tem um limite. A primeira Assembleia Regional, segundo julgo saber, tinha vinte e tal deputados. Os cadernos eleitorais foram crescendo, sem que a população crescesse, e com eles o número de deputados. Com um novo recenseamento eleitoral o número de eleitores diminuía e por “tabela” o número de deputados. Isto se os deputados não alterarem a Lei diminuindo o número de eleitores necessários para eleger um deputado. Já se percebeu que os deputados, de qualquer partido, não estão interessados a pôr menos senhores a “viver” do parlamento. Para além do número excessivo de deputados, há poucos anos entenderam-se todos para criar assessores aos partidos (ou deputados?) representados no parlamento. Mais não sei quantos “deputados”! As reformas são outra ofensa séria a quem trabalha. Não sei se é 8 ou 12 anos de “trabalho” parlamentar e tem uma “linda” reforma de 2000 ou 2500 euros mensais. Se for 12 anos já é ofensa mas se for 8 já tem outro nome. Eu tenho de trabalhar 40 anos para ter uma reforma. “Eles” é que aprovaram as duas leis: a deles e a minha. Eu não fui tido nem achado para a lei que eles aprovaram para os seus bons ordenados. Há dias atrás alguém dizia que os deputados não são profissionais. Isso já sabemos. Com salários daqueles... então o que é um profissional. Alguns vão ali ao parlamento 4 ou 5 vezes por ano marcar o ponto e tem as suas vidas profissionais activas. Estão agora muito preocupados com a possibilidade de haver um partido nas próximas eleições que tenha mais votos e menos deputados daquele que irá formar governo com menos votos. Qual é o problema. “Eles” é que fizeram a lei, não fui eu. As eleições são para deputados e não para o governo. Quem tem mais deputados é que ganha. Existam as leis que existirem, as constitucionalidades que quiserem, ou não, mas o número de deputados tem é de diminuir e não aumentar. Se houver uma conta com uma regra de três simples, comparando o número de deputados ao parlamento nacional e a população nacional com a população regional (Açores) obtemos 5,29 deputados para o Açores: 10% dos 52 existentes. Eu sei que estas matérias não são tratadas com regras de três simples, mas com a regra que os deputados andam a tratar é que é muito pior. Porque não criar um ciclo regional único. Já sei... (e tantas vozes...há muitos deputados). Uns levantam o problema da representação das ilhas pequenas, outros a pluralidade e outros ainda outros mais importantes. Importante para eles, não para o povo que não precisa de tanta gente para o trabalho que é preciso fazer. A representação das ilhas pequenas é uma falsa questão. Primeiro, mesmo com um número menor de deputados, ainda dá para todas as ilhas. Segundo, porque existe uma região como um todo. Comparando com a representação regional ao parlamento europeu podia-se dizer que durante muito tempo não houve tal representação. A chamada representação das ilhas pequenas está apenas a servir para manter o estado das coisas. Eu sei que estas linhas servem de pouco. Os deputados nunca irão aprovar uma lei que lhes tire regalias. Mas não venham com a conversa de que a população se desinteressa da coisa pública, que a abstenção aumentou, etc. etc. Tenham vergonha. O resumo disto é para dizer que se quer reduzir a despesa pública tem de se começar por “casa”. Não é possível continuar a ir buscar mais dinheiro a impostos para sustentar o desnecessário. Quase metade do que produzimos no país vai para impostos. É muito, tem de baixar, ou por miséria manter-se. A coisa pública tem sempre um custo, mas assim é de mais para tão pouco. A única vantagem que existe nestes custos públicos todos é que pelo menos a maior parte do dinheiro “consumido” pela Assembleia Regional entra no circuito económico açoriano. Mas é o mesmo que pagar para ser decapitado. Parece-me que estas linhas também servem para a Madeira. Diário Insular de 16 de Fevereiro de 2005, página 2
ALTERAÇÃO DO SISTEMA ELEITORAL REGIONAL DOS AÇORES MAIS DEPUTADOS, NÃO!... Zé Ratim Sobre as propostas de alteração do Sistema Eleitoral Regional muito se tem falado e escrito e ainda muito irá ser dito. No dia 25 de Janeiro o Diário Insular publicou um artigo do Dr. Jorge Valadão dos Santos sobre o assunto. Gostei e felicito-o pela coragem que teve de defender menos deputados para a Assembleia Regional. Parece-me ser a primeira opinião que leio ou oiço a defender tal medida. Segundo julgo saber, a sua posição ainda seria mais “radical” não fossem as vozes que “teme” virem contra ele. Defende a redução que 52 para 47, já é bom, mas insuficiente. É bom porque todos que tenho lido ou ouvido é no sentido de aumentar o número de deputados. Antes de mais gostaria de afirmar que no geral toda a nossa máquina política da Autonomia está relativamente bem e deve existir, só que mais pequena. As finanças públicas nacionais caminham para um beco sem saída. As regionais irão por arrasto. Não vejo ninguém com poder de decisão política preocupado em reduzir os gastos da máquina política. Aqui e agora só darei opinião sobre a Assembleia Regional dos Açores. As leis feitas pelos deputados e aprovadas pelos políticos, levaram a que tenhamos uma Assembleia Regional com uma despesa monstruosa. Já são mais os reformados que os deputados. A Assembleia Regional deve reduzir o número de deputados para cerca de metade dos actuais e criar um ciclo regional e não continuar com nove círculos como até agora. Também deve acabar com “os deputados não eleitos” que são chamados de assessores dos grupos parlamentares. Se compararmos outras situações de parlamentos nacionais ou regionais internacionais, chegamos à conclusão que o parlamento regional é dos que mais deputados têm por habitante. Um número de deputados à volta dos 25 seria mais que suficiente. A defesa da manutenção dos círculos de ilha com a justificação “da representação da ilha” não tem qualquer cabimento. Com um parlamento de 25 deputados, e atendendo ao actual quadro político na região, todos os partidos podem elaborar a sua lista concorrente com pelo menos um deputado de cada ilha e elegê-lo. Como é que se elege um deputado da região ao parlamento Europeu? Colocando-o em lugar elegível. Com um número de 25 deputados por um único círculo regional todos os votos são aproveitados e resolve-se o tão falado problema de uma possível maioria de deputados com menos votos. Já sei que viram os constitucionalistas e outras celebridades dizer que haverá que ver e pensar nisto e naquilo. Pensem no dinheiro que estão a gastar a mais e não aumentem mais os enormes impostos que já temos para sustentar isso tudo. Parece-me que estas linhas também servem para a Madeira. Diário Insular de 4 de Maio de 2005
TAXIS – Uma actividade protegida Zé Ratim Nos últimos tempos a comunicação social tem feito eco dalgumas preocupações dos nossos taxistas. É normal porque os tempos difíceis são para quase todas as actividades empresariais. A actividade de taxista é uma das poucas protegidas ou condicionadas por lei da República. O cidadão comum não pode iniciar livremente a actividade de taxista porque tem de ter, e não lhe dão, uma “praça”. A isso ainda se juntam algumas protecções municipais. Há tempos atrás o Governo Regional negociou e indemnizou, em cerca de 4 mil contos cada, alguns taxistas que deixaram de exercer a actividade e acabaram com as “praças”. Há tempos também a Câmara de Angra atribuiu uma compensação aos taxistas por “danos causados pelas urbaninhas”. Nos últimos dias veio a lume a polémica sobre “a praça do aeroporto”. Também já marcou presença a polémica sobre os transportes efectuados pelas agências de viagens e hotéis. Tudo isto não passa de remendos velhos em calças rotas. A actividade de taxista, ou carro de praça como chama a nossa gente, tem se ser como outra qualquer. Tem de ser como as Lojas, os Bares, as Mercearias, as Industrias em geral, etc. Ou seja, o empresário investe na viatura, licencia-a, oferece ao cliente o seu melhor serviço ao melhor preço, faz praça onde quiser em qualquer ponto da ilha, trespassa a sua actividade a quem a quiser comprar pelo melhor preço, ou se a oferta for superior à procura “fecha a porta” como acontece com as outras actividades. As entidades oficiais o que tem de fazer é unicamente abrir e manter locais (praças) para os taxistas oferecerem os seus serviços. A partir daqui devem ser as regras do mercado a funcionar. Assim de repente parece uma ideia maluca, mas não é. Veja-se o que aconteceu nos últimos anos com as viaturas de aluguer para o transporte de mercadorias. Estão aí quase todos, cada um a fazer o melhor que pode mas com concorrência. O cliente saiu muito beneficiado. Nos táxis pode-se fazer igual. A outra realidade que os taxistas conhecem mas fazem por esquecer é que a ilha Terceira já tem quase 50.000 carros para uma população de 60.000 habitantes. Quase todas as pessoas já têm viatura própria. O tempo de muitos taxistas acabou e tem de ter menos ainda. A concorrência das Agencias de Viagens e Hotéis é real mas é legal. O que talvez não seja muito legal é o taxista a fazer de Guia Turístico… A concorrência das “Urbaninhas” da Câmara não será tão real que mereça um “subsídio”. A maioria dos utentes das “Urbaninhas” não é os clientes dos Táxis. A actividade de táxi não é a única protegida ou condicionada em Portugal. Por exemplo, as Farmácias… A protecção duma actividade é bom para quem a tem, mas muito mau para quem precisas dos seus serviços ou produtos. Diário Insular de 30 de Março de 2006
ALTERAÇÃO DO SISTEMA ELEITORAL REGIONAL DOS AÇORES OUTRA VEZ MAIS DEPUTADOS? NÃO! Zé Ratim Começo por reafirmar posições para que não haja confusões com saudosistas dos regimes absolutos. A forma de organização política existente em Portugal parece-me muito bem. A Assembleia da República, as Assembleias Regionais, o Governo da República e os Regionais. Em minha opinião todos eles enfermam de um mal: grandes de mais para o nosso país e/ou regiões autónomas. Nos últimos dias assistiu-se na comunicação social local a mais uma notícia de interesse duvidoso. Foi o PS a acusar o PSD de fazer “queixinhas” a Cavaco Silva com a finalidade de este não promulgar a tão falada alteração do sistema eleitoral dos Açores. Escrevi de interesse duvidoso porque a questão de fundo era se o PSD defendesse menos deputados e não os mesmos, ou semelhantes, que o PS mas por outros círculos eleitorais. O PS entende que o problema de um possível empate, que nunca existiu, só se resolve com mais deputados de um círculo Regional. Eu acho precisamente o contrário, é com menos. O PSD entende que o problema se resolve aumentando o número de deputados nas ilhas maiores. Também não concordo. Os partidos mais pequenos como o CDS/PP, a CDU e o Bloco de Esquerda entendem que quanto “mais” melhor. Só assim, com o sistema actual, tem possibilidades de eleger os seus deputados. Encontrem a solução que acharem mais adequada, desde que seja para diminuir e não aumentar o número de deputados. Não podemos continuar nesta caminhada, de há uns anos para cá, de aumentar os custos do sector público. Chegou a hora de diminuir. Não me chamem “economicista” porque com esta desculpa a despesa pública chegou ao insustentável. E mais impostos também não, tenham eles o nome ou a justiça que tiverem. Pode haver injustiça na distribuição da carga fiscal, mas também é injusto aumentá-la mais. Um dia, os nossos representantes que fazem as suas, e as nossas, leis terão de perceber que não é sustentável este crescimento da máquina política. Não faz sentido uma Região Autónoma com 250.000 habitantes ter uma Assembleia Regional de 52 deputados e querer aumentar para 57. Menos da metade dá, chega e sobra. É opinião dos entendidos mas que não dizem em público. O sistema eleitoral dos Açores resolve-se muito facilmente com a criação de um Círculo Regional Único de mais ou menos 20 deputados. Desta forma todas as ilhas ainda podem ser representadas, bastando para tal os partidos fazerem eleger deputados por elas. E com esta solução se calhar os partidos pequenos ainda conseguem uma boa representação atendendo que não há votos perdidos. Diário Insular de 19 de Maio de 2006
TAXIS – Aerogare das Lajes deve ser de todos! Zé Ratim A Aerogare das Lajes parece-me ser o melhor exemplo de que não é preciso mais regulamentos para os Táxis. Todos têm lugar e direito a prestar o seu serviço em pé de igualdade. E assim deve continuar. Queixam-se os da Praia porque que os de Angra são beneficiados com os fretes que fazem para o aeroporto – ganham duas vezes. É verdade, mas os de Angra não tem culpa de terem a sua praça em Angra e o Aeroporto ser na Praia. Mas os da Praia também devem ter direito ao inverso. Os meios de produção devem ser rentabilizados. Custa-me ver um Presidente da Câmara da Praia, que me parecia ser um homem dos tempos e negócios modernos que correm, a dar cobertura e protecção a uma actividade protegida e de acesso condicionado. A Câmara da Praia prepara mais um Regulamento para os Táxis. Não é preciso regulamento nenhum, já tem de mais. Os Taxistas ainda hão-de perceber um dia que só o livre exercício da sua actividade em qualquer parte da Ilha Terceira resolverá a maioria dos seus problemas. Às Câmaras Municipais competirá apenas executar e infra estruturar os locais onde os Táxis podem exercer a sua “praça”. Os Táxis devem poder oferecer os seus serviços onde quiserem e entendem melhor. As “praças” devem ser de todos e para todos. A actividade deve ser livre e aberta para quem a quiser exercer. Desta os taxistas não gostam porque vinha concorrência para quem já tem tempos difíceis. Mas é assim para as outras actividades. Estejam descansados porque as “praças” vão continuar limitadas e a diminuir por muitos mais anos. E ainda com uns subsídios de “acabar praças” e das “urbaninhas”… A actividade de taxista, ou carro de praça como chama a nossa gente, tem se ser como outra qualquer. Tem de ser como as Lojas, os Bares, as Mercearias, as Industrias em geral, etc. Ou seja, o empresário investe na viatura, licencia-a, oferece ao cliente o seu melhor serviço ao melhor preço, faz praça onde quiser em qualquer ponto da ilha, trespassa a sua actividade a quem a quiser comprar pelo melhor preço, ou se a oferta for superior à procura “fecha a porta” como acontece com as outras actividades. As entidades oficiais o que tem de fazer é unicamente abrir e manter locais (praças) para os taxistas oferecerem os seus serviços. A partir daqui devem ser as regras do mercado a funcionar. Escrevo estas linhas à vontade porque não sou taxista nem tenho quaisquer interesses no ramo, mas sou defensor da livre iniciativa e sã concorrência. Diário Insular de 4 de Novembro de 2008, página 14
20.º ANIVERSÁRIO (1988 – 2008) AMIGOS DA TERCEIRA, PAWTUCKET, R. I., U.S.A. Liduino Borba Fui convidado pelo Director Cultural, Sr. Victor Santos, para participar nos festejos do 20.º Aniversário do Grupo dos Amigos da Terceira, em Pawtucket, Rhode Island, Estados Unidos da América, que decorreu entre 5 e 15 de Outubro, para apresentar o meu livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”. Foi com alegria e entusiasmo que aceitei tal convite, pois era uma oportunidade única de apresentar o meu trabalho à nossa comunidade emigrada, que muito aprecia estas publicações. Ao mesmo tempo, tive o privilégio de contactar de perto com muita gente conhecida ansiosa por saber pormenores da nossa querida Terceira. Como atrás foi escrito, os festejos começaram a 5 de Outubro e terminaram a 15. A minha viagem, de uma semana, foi realizada entre 7 e 13 de Outubro, pelo que não apanhei o princípio nem o fim dos festejos, que decorreram no maravilhoso salão sede da associação. No domingo, dia 5, pelas 12:00 horas, começaram os festejos com a actuação de quatro bandas, oriundas de Cumberland, Pawtucket, Fall River e Peabody. Na segunda-feira, dia 6, foi proferida uma palestra, por Paulo Codorniz, sobre o concelho da Praia da Vitória, seguindo-se a actuação do conjunto de música popular “Gerasoms”. Na terça-feira, dia 7, foi a vez de Miguel Borba proferir uma palestra sobre o concelho de Angra do Heroísmo, seguida da actuação do conjunto de música popular “Raízes”. Na quarta-feira, dia 8, já presente, assisti a duas palestras, para tratar três temas: Vila Franca do Campo, Ribeira Grande e Museu da Emigração. A primeira foi proferida pelo presidente da edilidade Vila-franquense e a segunda pelo representante da cidade da Ribeira Grande. O dia 9, quinta-feira, estava destinado à apresentação de dois livros: “Roseira Brava”, de José Plácido e “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, de minha autoria. O primeiro foi apresentado pelo seu editor José Brites, na presença do seu autor. O segundo foi por mim apresentado na presença do biografado, o Tio João Ângelo. Seguiu-se uma sessão de autógrafos. O serão continuou com cantigas ao desafio com Mário Silva, Eduardo Papoila e um cantador local, e terminou com Velhas com João Ângelo, Victor Santos, Francisco Santos e Eduardo Papoila. Este foi o primeiro dia com estradas pagas a 10 dólares por pessoa. O salão estava completo. Na sexta-feira, dia 10, foi exibido o vídeo-filme “Açores, 9 ilhas – uma viagem íntima”, de Teresa Tomé. O sábado, dia 11, foi reservado para o jantar de gala, com entradas pagas a 60 dólares para sócios e 70 para não sócios. Foram servidos uma entrada, uma sopa, um prato de peixe e outro de carne, confeccionados com esmero. Seguiu-se a apresentação dos convidados de honra, a assinatura de um protocolo entre o Grupo Amigos da Terceira (GAT) e Banco Espírito Santo, a apresentação do livro comemorativo do historial do GAT, a actuação dos fadistas Jesualda Azevedo, Pedro Botas e Natalie Pires, e, para encerrar, Tony Borges com um espectáculo dançante. À semelhança do domingo anterior, o dia 12, começou às 12:00 horas com o segundo dia de festival de bandas, onde actuaram a de Santo António de Fall River, a do Senhor da Pedra de New Berdford, a de Santo António de Cambridge e a de Nossa Senhora dos Anjos de New Bedford. A segunda-feira, dia 13, estava reservada para mais uma noite dedicada à cultura popular, com o lançamento do livro “Charrua e Turlu – Confidências”, da autoria de Mário Pereira da Costa, e cantigas ao desafio. O livro foi apresentado por Onésimo de Almeida, seguindo-se uma intervenção do autor. As cantigas ao desafio foram interpretadas por João Ângelo e José Plácido, que receberam muitos aplausos do público presente que enchia o salão. Para a terça-feira, dia 14, estava reservado um jantar de homenagem ao futebolista da selecção portuguesa Pedro Pauleta, seguido de autógrafos e fotos, com bilhetes a 25 dólares para sócios e 30 para não sócios. O salão também estava completo. Foi o meu dia de partida, pelo que só assisti ao início da cerimónia. Na quarta-feira, dia 15, pelas 19:00 horas, foi o encerramento dos festejos, com uma missa solene no Centro Comunitário dos Amigos da Terceira, por alma dos sócios falecidos, cantada pelo Grupo Coral local e celebrada pelo Rev.º José Rocha. Ao participar nestes festejos, vi como é grande a vontade da nossa comunidade emigrada, naquela localidade, em manter as nossas tradições e cultura populares e, ao mesmo tempo, manterem-se unidos, numa terra onde a dispersão é muito acentuada. A saudade só é vivida e sentida por quem é emigrante. A título de exemplo, no sábado, 11, dia do jantar de gala, realizaram-se nas redondezas mais oito festas de portugueses. Os Amigos da Terceira, a comemorarem 20 anos, são um caso único em toda a emigração portuguesa. Não se conhece outra organização que tenha feito tanto, em tão pouco tempo, pela nossa cultura na diáspora. Victor Santos é o homem que tem alimentado este grandioso projecto. É ele o líder incontornável desta maravilhosa obra social, mas com um privilégio, talvez único na emigração, de ter toda, mas toda, a sua família envolvida na associação, para além de um grupo de homens de boa vontade que não deixam apagar a chama. Foi fundador, presidente, secretário, tesoureiro, director, compositor, tocador, músico, ensaiador, escritor de letras, bailarino, orador e não sei mais o quê, mas continua a fazer tudo o que os outros fazem, quando é preciso, nem que seja limpar o chão. Gostaria de deixar aqui os meus sinceros agradecimentos a quem me proporcionou esta maravilhosa semana junto da nossa comunidade de Pawtucket. Em primeiro lugar aos Amigos da Terceira, à D. Maria João Santos, presidente, e Victor Santos, director cultural, e, em segundo, a todo o grupo que foram incasáveis para que tudo corresse bem. À Câmara Municipal da Praia da Vitória que patrocinou a minha viagem. Ao Manuel Ângelo que nos hospedou em sua casa, em condições superiores a um hotel, mesmo com os seus dois trabalhos, que poucas horas lhe deixavam livres. Ao Sr. Clemente Anastácio que me convidou para uma maravilhosa conversa, em sua casa, sobre o Pedro Francisco (1760-1831), herói da guerra da independência da América, natural na nossa freguesia do Porto Judeu. Clemente foi o impulsionador do monumento erigido junto dos Amigos da Terceira e foi o homem que deu a conhecer à Terceira, em pormenor, os feitos do nosso conterrâneo. Esta semana tive a particularidade de viver na mesma casa com o meu biografado – João Ângelo – homem com quem se convive muito bem e com agrado, pelas suas respostas oportunas. Seguiu daqui para a Califórnia, onde vai cantar em duas festas da nossa comunidade – Thornton e Hilmar. Angra do Heroísmo, 21 de Outubro de 2008 Diário Insular de 27 de Fevereiro de 2009
DANÇAS E BAILINHOS DE CARNAVAL A Força da Crise Liduino Borba Há cerca de quatro décadas que acompanho o Carnaval da Terceira, sempre como espectador. Nos meus tempos de rapaz estive na “calha” para o ano seguinte, mas o organizador mudou-se da Canada da Francesa e meu pai ficou muito contente, porque deixou de pensar onde ia arranjar o dinheiro para o “fardamento” da dança. Para além das dança de terreiro, durante muitos anos vi-as na Casa do Povo de São Bartolomeu. Na última década, optei pela Sociedade Recreativa de Nossa Senhora do Pilar, nas Cinco Ribeiras, sempre da segunda para a terça-feira, com excepção deste ano que lhe adicionei o sábado, tendo assistido, no total, a perto de 20 actuações. Os meus primeiros contactos com o Carnaval de 2009 aconteceram em Setembro e Outubro passados quando me desloquei à América. Em Setembro, estive na Califórnia, de passagem, e estive na leitaria dos meus amigos Carlos e Ana Teixeira, em Hanford, naturais ele da Fonte do Bastardo e ela de São Sebastião, que por força da sua vida profissional se viram obrigados a deixar de ser os dinamizadores de um grupo de açorianos e descendentes, que naquelas redondezas faziam, há vários anos, um bailinho. Assim, há dois anos que há menos um bailinho na nossa dinâmica comunidade da Califórnia. Em Outubro, nos Amigos da Terceira, mais precisamente em casa de Victor Santos, este deu-me a conhecer o enredo, de sua autoria, para uma Dança de Espada a sair neste Carnaval. A nossa comunidade do Canadá também festeja com entusiasmo o Carnaval. Avelino Teixeira, a residir em Toronto, fez-me chegar, via internet, uma reportagem sobre um bailinho intitulado “O Bailinho do Graciosa”. Por estes pequenos apontamentos, vê-se que as nossas comunidades emigradas não deixam as nossas tradições por mãos alheias, o Carnaval é bem vivido. Embora não disponha de muita informação, parece-me que o intercambio, este ano, entre os de cá e de lá, foi menor. Em geral, gostei do que vi este ano. Vi grupos maiores, bem vestidos, boa música, grandes actores, grandes grupos de actores, etc. Alguns dos grupos apareceram este ano com quatro alas de dançarinos, duas de homens e duas de mulheres, com mais de vinte elementos no total. Pela primeira vez vi um bailinho puxado por quatro mestres. Também os trajes, nada inferiores a anos anteriores, estavam à altura do acontecimento. Como não percebo muito de música, apenas oiço e gosto ou não, diria que, no geral, era boa, mas com criações e invenções que, em minha opinião, esquecem o que de bom se deve copiar. Muitos foram os bons actores que vi, mas, pela boa impressão que me deixou, destacaria o “papelão” do Padre/Capinha na dança dos Altares. Quanto a trabalho de grupo, gostei muito da “Morte do 64”, de Santa Luzia da Praia, mas colocaria em “primeiro lugar” os “Fala Quem Sabe” com “Meio Bailinho”, por ser excepcional. As saudações e despedidas de Hélio Costa e Jorge Rocha, entre outras, são tratados de filosofia rimada. Por outro lado, começam a aparecer muitos outros autores de letras. Na Terceira, há muita gente que sabe rimar. Admiro a correcta atitude do nosso povo que nunca deixa de aplaudir, mesmo o enredo, ou actuação, com pouca graça. É o reconhecimento do público para com aqueles que fazem a festa. Os meios de comunicação social, uns mais outros menos, deram os destaques que a festa merece. O Diário Insular e a União fizeram eco do que se vinha fazendo e fez com esta festa. A Rádio Horizonte e o Rádio Clube de Angra parece-me que também deram o destaque merecido. A RDP – Antena 1 Açores parece-me que fez uma pequena cobertura do Carnaval dos Açores, na noite da segunda-feira. A Internet foi rainha e senhora da cobertura com seis canais iniciais, que acabaram em quatro. A TVA (Horizonte) transmitiu de São Carlos para todo o mundo. A Via Oceânica começou com cinco transmissões – Canadá, Pawtucket (América), Praia da Vitória, Santa Bárbara e Raminho – e acabou com os três da Terceira, durante quatro dias, também para todo o mundo. Pela primeira vez vimos em directo, das nossas comunidades, as suas danças e bailinhos. A RTP Açores limitou-se a uns envergonhados diferidos na terça-feira. Como curiosidade, a Via Oceânica atingiu um milhão de contactos, neste Carnaval, mas desde o seu início como canal de comunicação. Nesta festa recebeu mais de 400 comentários escritos de todo o mundo. Se um economista fizesse um estudo sobre o Carnaval, julgo que a primeira conclusão que tiraria é que há “negócios” que se expandem nas crises. A crise só apareceu como tema para os enredos e não como travão para eles se desenvolverem. O povo terceirense é uma caso único no mundo de saber fazer e viver a festa. O meu amigo Eugénio diz que nós fazemos a festa, comemos, bebemos e divertimo-nos com a festa e ainda ganhamos dinheiro com ela. E é verdade.” Angra do Heroísmo, 27 de Fevereiro de 2009 MOINHO DO REI – 2 de Agosto de 2009 MOINHO DO REI Um Paraíso nas Flores Liduino Borba Nos dias 22 e 23 de Julho p.p. desloquei-me, com minha mulher, em visita à bonita ilha das Flores. Por companhia tivemos os nossos familiares de Tulare, Califórnia, – Ana, Pedro, Anthony e Tony – que pela primeira vez visitaram o que de mais lindo a mãe natureza produziu. Começamos por visitar os pontos de maior interesse turístico para no fim do primeiro dia nos encontrarmos com a nossa amiga Regina Meireles. Tinha sido ela a dar algum apoio logístico para a nossa agradável estadia. A convite do casal Meireles, jantamos no “Hotel dos Franceses” em Santa Cruz, antes de assistirmos a uma noite de Folclore, no Hotel Ocidental, abrilhantada pelo Grupo Folclórico e Etnográfico da Associação Cultural Lajense (Flores). Como não podia deixar de ser, tudo correu pelo melhor. No nosso primeiro contacto pessoal com a Regina Meireles, antes do jantar, fomos convidados a visitar o Moinho do Rei, propriedade do casal, situado na freguesia da Fazenda, concelho das Lajes. Foi um dos momentos mais altos da nossa visita. O Moinho do Rei, foi construído em 1882 e é o maior da ilha das Flores pois, para além de ter casa de habitação, possui três mós. Concorrendo com outros do seu tempo, foi dali que saiu grande parte da farinha de milho e de trigo para alimentar a população das redondezas. Para além do valor industrial que teve para a ilha, o que o destaca na actualidade é a localização natural e paradisíaca que o envolve. O seu acesso por um atalho íngreme, onde só o homem e o animal de tracção podem transitar, a presença de patos, de galinhas, de pombas, vivendo naturalmente sem cercas, o edifício, de cerca de 70 m2, com o lugar dos rodízios junto da ribeira, as três mós no andar intermédio e a habitação no superior, o leito permanente da ribeira que o alimenta (ou alimentava), as patas desfrutando dessa água límpida, o arvoredo verdejante à sua volta, fazem deste lugar um paraíso para qualquer mortal se esquecer das agruras da vida. Do livro “Lajes das Flores – Inventário do Património Imóvel dos Açores”, Edição, de 2006, da DRC, do IAC e da Câmara Municipal das Lajes das Flores, página 121, transcrevo o que sobre o Moinho foi escrito: «Moinho de água com dois pisos, de plano rectangular, situado numa encosta abaixo do nível da estrada, junto da Ribeira Funda, num espaço ajardinado. No piso superior situa-se a habitação, por baixo da qual fica a sala de três mós acessível pela empena por aproveitamento do desnível do terreno. Dos três mecanismos de moagem, um era destinado a moer trigo e os outros dois milho. Sob este piso ficam os rodízios. Na fachada virada para a ribeira podem-se ver duas janelas de guilhotina em cada piso, alinhadas entre si. Num nível inferior vêem-se os três vãos (arcos grosseiros) onde estão os rodízios, enquadrados por um fosso baixo. O edifício é construído em alvenaria de pedra à vista tendo uma cobertura de duas águas, em telha de meia cana tradicional, com beiral simples e telhão na cumeeira. Do lado esquerdo da entrada da habitação há um pequeno corpo mais recente (construído com os mesmos materiais do moinho) que corresponde a uma instalação sanitária. Perto do moinho há uma pequena construção em madeira que corresponde a uma cozinha exterior. O moinho, embora preparado para funcionar, está hoje adaptado a uma casa de fim-de-semana.» Esta descrição só foi possível porque a Regina Meireles “sonhou”, um dia, que reconstruiria o Moinho da vida dos seus pais. No moinho, ofereceu-me um lindo texto sobre a afectividade que este lugar representa para ela e família. Passo a transcrever parte: «Moinho do Rei – 1882. Não há lugares certos para se dizer onde e como começaram as coisas, a verdade e a vida… Mas este é um lugar sagrado de memórias inesquecíveis. Lugar de amor entre meus pais que aqui se amaram e sonharam comigo… Na ribeira que corre hoje ao ritmo de outrora, lavou minha mãe a roupa cheirosa da vida e sonhou com o príncipe que a havia de transportar ao altar das virgens para serem felizes para sempre… Aqui fui concebida em sonhos Regina, Rainha, Maria, Mãe… Quero deixar este moinho à imaginação arrebatadora de minhas filhas [Ana e Joana] para as ajudar a reencontrar o sonho no meio da realidade dura dos dias que correm à margem da pureza desse tempo.» O Moinho não tinha sido propriedade dos seus pais, mas local de convivência muito afectiva. Quando os herdeiros o colocaram à venda a Regina e o Armando Meireles não hesitaram em adquiri-lo. Então em ruínas, foi uma tarefa árdua a sua reconstrução, devido à sua localização e acesso custou três vezes mais do que uma obra normal. A sua inauguração foi nos inesquecíveis 50 anos de casamento dos pais, presenteados com a visita ao local dos seus sonhos. Lindo de mais para ser descrito… Depois do grande esforço de reconstrução, há anos atrás uma grande tempestade, com chuvas diluvianas, casou alguns estragos ao Moinho, nomeadamente à destruição dos rodízios e baixa acentuada do leito da ribeira. Embora a estrutura principal do edifício se mantenha com a habitação e as mós intactas, as obras de recuperação são muito avultadas porque implicam estudos de engenharia hidráulica de custo e execução incomportáveis para os proprietários. Mesmo assim, vale a pena visitar o Moinho do Rei na Fazenda, concelho das Lajes das Flores. Quando por lá passarem não deixem de procurar a Regina Meireles, na Tesouraria das Finanças, ou o Armando Meireles, na Câmara Municipal, que certamente terão muito gosto em partilhar esse Paraíso nas Flores. Casa da Terra Alta, São Mateus, 2 de Agosto de 2009 Victor Santos na ilha Terceira – 2 de Setembro de 2009 De Pawtucket, Estados Unidos da América Victor Santos na ilha Terceira Liduino Borba Victor Santos chegou à ilha Terceira no dia 14 de Agosto de 2009 (sexta-feira), convidado para quatro grandes espectáculos em três freguesias: Cinco Ribeiras, Feteira e Agualva. Actuou, no dia 15, sábado, nas Cinco Ribeiras, no dia seguinte, na Feteira, e, no dia 19, quarta-feira, na Agualva, sempre com a apresentação de temas dos seus dois álbuns – Alma Terceirense e Saudade. Em todas as actuações foi muito bem recebido e aplaudido pelo muito público presente na rua. Prova da aceitação foi ter vendido a grande quantidade de CDs que trouxe consigo, tendo feito chegar mais alguns de urgência, dos EUA, para o espectáculo de quarta-feira, que também esgotaram. Outro ponto alto da sua passagem pela Terceira foi a grande cantoria, no dia 17, segunda-feira, nas Cinco Ribeiras, com os improvisadores João Ângelo e José Eliseu. Não se assistia a uma presença tão assídua do público, para uma cantoria, pelo menos nesta freguesia, desde as últimas cantorias do grande Charrua, dali natural. Assisti ao improviso de segunda-feira e gostaria de deixar aqui a minha opinião. Começaram os três com as habituais saudações aos presentes e, pouco depois, o José Eliseu introduziu, como quase sempre, o tema das mazelas do Tio João, que o Victor não deixou cair. Para bem de todo o público presente, o Tio João virou um pouco o “discurso” para o Victor Santos, a saudade, a emigração, os elogios aos grandes contributos que tem dado à nossa cultura popular na diáspora, passando a cantoria a ser mais agradável de ouvir e muito aplaudida. Pouco depois Victor Santos introduziu a sextilha, que os outros acompanharam, dando ainda mais brilho ao que já brilhava. Será uma das cantorias para mais tarde recordar. Como não podia deixar de ser, acabaram os três a cantar as nossas delirantes e picantes Velhinhas da Terceira. Aplausos não faltaram… Gostaria de deixar aqui uma pequena nota sobre o Tio João: esteve quase sempre perto duma mesa onde se apoiava. A doença nos membros inferiores já o obrigou a cancelar algumas actuações este ano. O Victor Santos para além das actuações mencionadas, ainda desfilou no cortejo de Bodo de Leite das Cinco Ribeiras, na personagem de José da Lata, e actuou no convívio da terceira idade, da mesma freguesia. Partiu na sexta-feira seguinte, dia 21, para os Estados Unidos, depois de uma semana de boas recordações, segundo me disse. Agora, algumas notas extraídas do seu site www.victorcsantos.com «Biografia: Não deverá ser nenhum favor dizer que este homem ocupa o primeiro lugar na organização de manifestações populares na diáspora. Conhecem-se muitos e bons emigrantes que têm feito muito pela nossa cultura, além fronteiras, mas não em tanta quantidade e com a persistência de Victor Santos. Casa da Terra Alta, 2 de Setembro de 2009. JOÃO ÂNGELO, Intervenção Cirúrgica – 6 de Dezembro de 2009 JOÃO ÂNGELO Intervenção Cirúrgica Liduino Borba (*) Depois da publicação do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, em Abril de 2008, que o meu relacionamento com o Ti João Ângelo tem sido mais frequente. Como disse no dia do lançamento, ganhei um amigo, que podia acrescentar muito leal. Espero que ele possa pensar o mesmo de mim. Neste último ano acompanhei de perto algumas mazelas que a idade e a doença lhe têm trazido. Foi o caso de duas hérnias e a anca direita. As primeiras, ele tem sabido viver com elas, há alguns anos, embora tivessem programadas para irem “à faca”, com ele dizia. Quanto à anca foi um pouco mais complicado, porque para além da dor que o atormentava, não permitia que desenvolvesse regularmente a sua actividade de lavoura e também das “cantarolas”, como ele gosta de dizer. Passou a ajudar-se com uma bengala, ou bordão, conforme as situações. Durante 2009, recusou várias actuações em pezinhos e cantorias, na Terceira, Ilhas dos Açores e Califórnia, devido à sua doença. No entanto, actuou em Agosto, nas Festas das Cinco Ribeiras, ao lado de José Eliseu e Victor Santos (vindo da América), perto duma pequena mesa, que para além de “aguentar” uma garrafa de água também o aguentou. Foi uma noite memorável, só comparável à grande enchente da última cantoria que o Charrua ali efectuou. Pelas Festas de São Carlos, que promoveram um encontro de várias gerações de cantadores, só a muito custo aceitou participar na cantoria. A ajuda à sua perna direita – a bengala – estava por perto para poder pôr-lhe a mão. Depois de alguma espera, os médicos Duarte Soares e Fernando Artur, por quem tem estima, acordaram e marcaram a intervenção cirúrgica para o dia 4 de Dezembro, sexta-feira. Foi internado na quinta-feira, depois de já ter efectuado a consulta de anestesia. Foi operado a uma hérnia e à anca, esta substituída por uma prótese. Fui vê-lo no sábado e estava muito bem disposto e satisfeito porque tudo, até ali, tinha corrido muito bem. Estava esperançado que, para além de se acabarem as dores, poderia vir a desenvolver melhor a sua vida. Há duas situações que devem ser relatadas pela graça que têm e pelo humor que ele sempre imprime às situações. A primeira foi na noite do internamento em que não pode comer, por razões óbvias, e deu direito à seguinte quadra dita à enfermeira na manhã seguinte:
Com dores e com fome, A segunda foi durante a operação à anca. A anestesia utilizada permitiu que João Ângelo ouvisse e acompanhasse parte dessa cirurgia, daí ouvir os médicos a verificar e corrigir o tamanho da perna, com a outra, quando iam dizendo “se não ficam iguais, ele, nas cantorias, nunca mais nos larga da mão”. Que tudo acabe bem para que no próximo ano possamos ter o Ti João Ângelo nos Pezinhos, Cantorias e Velhas. Casa da Terra Alta, 6 de Dezembro de 2009 (*) Autor do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias VICTOR SANTOS na Terra Chã – Maio de 2010 VICTOR SANTOS na Terra Chã Cantou, agradou, encantou e matou a saudade Por Liduino Borba Victor Santos radicado na Costa Leste dos Estados Unidos da América, há 40 anos, para onde emigrou com 8, foi o convidado da Comissão de Festas do Império da Terra Chã, do primeiro bodo, deste ano de 2010. Estava programada uma actuação para o dia 23 de Maio, domingo, às 22h00m, e outra para o dia seguinte, pelas 10h00m, com o cortejo etnográfico. No domingo, o Terreiro da Terra Chã encheu-se de familiares, amigos, conhecidos e admiradores do cantor para ouvirem algumas das canções do seu vasto reportório, que merecem muitos aplausos. Cantou e agradou… Como foi referido, no dia 24, segunda-feira, pelas 10h00m, participou no cortejo etnográfico, que teve início nos Dois Caminhos e terminou no largo do Terreiro. O cortejo era constituído por vários quadros do nosso quotidiano, bem representados e escolhidos, que encerrava com o Victor Santos, trajado à “José da Lata”, a cantar o Pezinho, à moda antiga, acompanhado pela Filarmónica da freguesia. As suas quadras, de fino reporte, que emocionaram muita gente, começaram nos Dois Caminhos, e quase contínuas, só acabaram no Terreiro, onde a emoção do cantador falou mais alto e as lágrimas de saudade deram lugar ao silêncio da voz. O Victor cantou e encantou… Mas ainda antes de chegar ao Terreiro, e junto da casa que foi de seus parentes, disse a seguinte quadra:
Nesta casa se cantava, Ao chegar ao Império, onde estava o padre da freguesia para abençoar o pão, o leite, etc., disse mais duas quadras, antes de a lágrima “molhar” o improviso:
Já chegamos ao Império Outras quadras, improvisadas no percurso, como abraços de familiares radicados na emigração, para os de cá, como a recordação à então maior ganadaria da ilha, junto da casa dos seus proprietários, etc., também poderiam aqui ser transcritas, pelo seu valor e profundidade. Para finalizar, só acrescentar que Victor Santos é natural da freguesia da Terra Chã, onde cantou pela primeira vez, desde que de cá saiu. A saudade é um sentimento muito profundo, só valorizado por quem o sente. O Victor cantou, agradou, encantou e matou a saudade. Convites e vontade, para cantar na ilha Terceira, não lhe faltam. Falta-lhe é disponibilidade. Mas em Outubro estará de volta, para actuar nas festas das Lajes e na Sociedade da Terra Chã. JOÃO ÂNGELO VOLTA A CANTAR – Junho de 2010 Depois de alguns meses JOÃO ÂNGELO VOLTA A CANTAR Liduino Borba (*) Depois de alguns meses afastado dos coretos da Terceira, João Ângelo voltou a cantar, no dia 24 de Junho, dia do seu 75º aniversário, no Pezinho das Sanjoaninas. Esteve convidado para a cantoria do dia 20, também das festas da cidade, que se realizou no Jardim Público da Terceira, mas a tosse forte que o atacou fez cancelar a sua presença. Os meses de interregno ficaram a dever-se, em primeiro lugar, à operação a que foi submetido em Dezembro, e, em segundo, à morte da única irmã que tinha, mãe da, também, única sobrinha que tem. No Pezinho, participaram sete cantadores: Mota, Eliseu, José Fernando, Maria Clara, Hélder, Retornado e João Ângelo. Começou junto da Câmara Municipal, na Praça Velha, depois caminhou pela Rua Direita até ao Sport Clube Angrense, subiu a Rua de São João e cantaram ao Santo das Festas, seguindo-se a Sé Catedral dos Açores, o Sport Clube Lusitânia, e terminou em frente do Secretariado das Festas. Em todos os lugares, e de todos os cantadores saíram cantigas dignas de registo. Das doze que cada um improvisou ficam aqui algumas. António Mota, junto da Câmara, sua entidade patronal, disse para a Andreia Cardoso, a presidente:
Esta Câmara é tão bela João Ângelo, ainda junto da Câmara, terminou com esta quadra, aludindo às brasileiras e ao negócio dos chineses:
As senhoras são mais melgueiras O Eliseu, também funcionário do quadro da Câmara, com a categoria de Engenheiro do Ambiente, disse na Rua de São João, junto do Angrense, referindo ao Luís Gonçalves:
O Angrense actualmente José Fernando, tesoureiro do Município Praiense, cantou junto da imagem de São João, no canto da mesma Rua, e disse:
São João ao nascer E João Ângelo, como os outros, aludiu à fraca beleza da imagem:
Eu por acaso nasci O Retornado, ainda junto de São João, não deixou de criar as rimas de sentido profundo, como ele sabe fazer:
Isabel deu-te à luz Junto da Sé Catedral dos Açores, foram improvisadas quadras de fino recorte, que não podem ser todas aqui inseridas. Maria Clara, com a sua juventude cheia de futuro, disse:
Como esta não há igual O Hélder também não deixou os seus créditos por mãos alheias e enalteceu a Catedral:
Ó santa igreja da Sé José Fernando, referido a São João e São Salvador, disse:
Agora dizer me resta O Retornado improvisou:
Rezem comigo neste segundo E João Ângelo rematou, que nem sempre se faz o que se diz:
Há palavras apreciadas Já junto da sede do Lusitânia, e antiga casa de D. Violante do Canto, a Música que acompanhava o Pezinho tocou os “Parabéns a Você”, para os 75 anos de João Ângelo. Maria Clara soube enaltecer o grande Clube da Rua da Sé, que esteve quase a fechar portas:
Canto a campeões bem posso ver E o Retornado concluiu:
Ele já tem seiva na planta O Pezinho terminou do lado contrário da Rua, a cantar ao Secretariado das Festas Sanjoaninas de 2010. Seguem-se as quadras de Mota, Eliseu, Maria Clara e Hélder, respectivamente:
Letícia das mentes finas (*) Autor do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, e outros. I ENCONTRO DE EMIGRANTES DE SÃO MATEUS – 12 Agosto de 2010 I ENCONTRO DE EMIGRANTES DE SÃO MATEUS Liduino Borba A Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta, Ilha Terceira, promoveu o 1.º Encontro de Emigrantes de São Mateus, num almoço realizado no Restaurante “Quebra Mar”, junto da Igreja Velha da freguesia, no dia 11 de Agosto de 2010, quarta-feira, que juntou cerca de setenta Mateusenses, de vários locais da nossa diáspora da América e Canadá. A organização, patrocinada pela Junta de Freguesia, esteve a cargo do seu presidente, José Gaspar Lima, e do grande colaborador, nestas coisas da diáspora, José Félix. Este foi o primeiro de vários encontros que se pretende realizar anualmente, em Agosto, juntando a diáspora presente na freguesia. A convivência entre os nossos emigrantes serviu para a troca de abraços, lembranças, recordações, fotos e emoções fortes, que ficarão para sempre na memória de todos. Embora já venha a ser abordado há anos, este encontro serviu para voltarem a reflectir na realização do 1.º Encontro de Amigos de São Mateus em Toronto, Canadá, que poderá acontecer já em 2011. Nesta iniciativa, têm-se destacado, entre outros, João Natal, Maria Ficher e Avelino Teixeira. Se este encontro se concretizar, a freguesia de São Mateus passa a ficar bem representada com intercâmbios da diáspora, atendendo que há sete anos que se realiza o Encontro dos Amigos de São Mateus em New Bedford, Massachusetts, América, e agora o Encontro dos Emigrantes em São Mateus. Estes Encontros são uma forma muito positiva de união da nossa comunidade emigrada, que deve continuar. 12 de Agosto de 2010. VII ENCONTRO DOS AMIGOS DE SÃO MATEUS – 27 de Setembro de 2010 EM NEW BEDFORD VII ENCONTRO DOS AMIGOS DE SÃO MATEUS Por Liduino Borba O VII Encontro dos Amigos de São Mateus realizou-se, mais uma vez, no Clube dos Pescadores (United Fisherman Club), em New Bedford, organizado por um grupo de Amigos de São Mateus, sobre a orientação de Manuel Gil, o nosso conhecido Manelinhas, e com a colaboração da Junta da Freguesia, na pessoa do seu presidente José Gaspar Lima. Na véspera do Encontro, e como já vem sendo hábito, reuniram-se os organizadores, familiares e amigos num jantar de saudade, onde não faltaram as alcatras de peixe confeccionadas, pelo José Gaspar e José Félix, com a “matéria-prima” fresca levada do Porto de São Mateus. O conterrâneo da diáspora, de sobrenome Veríssimo, associou-se ao jantar com a oferta de três alcatras de carne. Neste jantar participaram cerca de setenta pessoas em amena cavaqueira e com troca de muitos abraços. No dia 4 de Setembro, sábado, pelas sete horas da tarde, começou a concentração e reunião dos Amigos de São Mateus para o seu Sétimo Encontro. Muitas saudades e troca de abraços estiveram no início das conversas entre familiares, amigos e conhecidos. A abertura foi feita pelo locutor da Rádio Globo – Rui Baptista – que saudou os presentes, em nome da organização, e introduziu no auditório o presidente da Junta de Freguesia, que, para além de saudar os presentes, lhes disse que agora valia a pena viver em São Mateus e que todas as portas estão abertas, para quem o entender fazer. De seguida coube-me apresentar o meu último livro “A Família Contente em São Mateus da Calheta”, com uma saudação muito sentida a todos os Amigos de São Mateus. O serão foi animado com o Grupo “Voz da Saudade”, sediado no Canadá, que programou esta e outra actuação circunvizinha. É um grupo composto por mais de trinta elementos, e que faz uma mistura perfeita da Saudade, Música de baile dos anos 70, Coro, Música tradicional e projecção multimédia, comandado por Tony Silva, um dos elementos do Conjunto “Os Bárbaros”, dos anos setenta (?). Segundo julgo saber, a “Voz da Saudade” e o “reeditado” conjunto “Os Bárbaros” estarão nas Festas da Praia da Vitória, Terceira, em 2011. Vale a pena ver os primeiros, os segundo não conheci. A presença dos Amigos de São Mateus foi correspondida com de mais de quatrocentos elementos, que para além de desfrutarem de um jantar, bem preparado pelo pessoal do Clube dos Pescadores, assistiram a uma noite com alguma cultura e boa música. O entusiasmo destes encontros está-se a expandir para o Canadá e já se fala em realizar um evento semelhante, no ano de 2011, em Toronto. Que assim seja. 27 de Setembro de 2010 AMIGOS DA TERCEIRA – FESTAS DE SÃO VICENTE DE PAULO, 28 de Setembro de 2010 EM PAWTUCKET AMIGOS DA TERCEIRA – FESTAS DE SÃO VICENTE DE PAULO Por Liduino Borba As Festas de São Vicente de Paulo, padroeiro do Centro Comunitário Amigos da Terceira, em Pawtucket, Estado de Rhode Island, Estados Unidos da América, decorreram, este ano, entre 6 e 12 de Setembro de 2010, com um programa variado. Fui convidado para, no dia 9, lançar o meu penúltimo livro “64 – O Toiro das Mulheres”, que aceitem e agradeci. As cerimónias do dia começaram, à semelhança dos outros, com a recitação do terço, seguindo-se um jantar de “Fersura” e o lançamento do livro. A recitação do terço, pouco usado entre os bons cristãos destas ilhas de Jesus Cristo, continua a marcar presença nas festividades da diáspora. O jantar de “Fersura” fez-me recuar mais de trinta anos quando a minha falecida mãe cozinhava tal saboroso guisado, carne dos pobres comprada por encomenda, hoje recordada e confeccionada numa associação dos nossos saudosos emigrantes, Gostei muito. Seguiu-se a cerimónia de lançamento do livro, numa plateia de cerca de 300 pessoas. Presentes na mesa estavam o Director Cultural dos Amigos da Terceira, Victor Santos, o Dr. Onésimo Teotónio Almeida e eu. No início da sessão usou também da palavra a Presidente da Direcção dos Amigos da Terceira, Lúcia Pratas, que, a par de Victor Santos, saudou os presentes e visitantes e anunciou publicamente o convite a mim dirigido para ser o Delegado dos Amigos da Terceira, na respectiva ilha. Onésimo Almeida apresentou o livro com a graça e o saber que lhe são peculiares, enaltecendo mais uma obra relacionada com a cultura popular terceirense, contando estórias que muito contribuíram para a boa disposição geral. Foi um serão muito alegre e divertido. Antes, no dia 5, os Amigos de São Mateus organizaram uma excursão a localidades dos arredores de New Bedford, que ocupou todo o dia, e acabou num Casino das redondezas, antes da viagem até a “casa”. Na segunda-feira, dia 6, feriado na América, “Labor Day”, já na companhia de Luís Azevedo, fui até Lowell, à Sociedade do Divino Espírito Santo, fundada em 1923, onde decorria uma festa local dos nossos emigrantes, com uma tarde animada com música de conjunto para bailar, como nos nossos anos setenta. Encontrei muita gente conhecida, amiga e de família, que não via há dezenas de anos. Senti-me em casa. Os dias 6 e 7 foram destinados aos amigos Luís Azevedo e Mário Pereira da Costa, este autor do livro “Turlu e Charrua – Confidências”, em Peabody. A sumptuosa hospitalidade e recepção decorreram em casa de Luís Azevedo, casado com a simpática Irlandesa de nome Marie. Fiz parte da família. No dia em que almocei com Luís Azevedo e Mário Costa visitamos, em Peabody, o Clube Luís de Camões, fundado em 1914, para além da Irmandade Açoriana do Divino Espírito Santo, fundada em 2006, onde almoçamos. Esta, é um arrojado empreendimento de 1.600.000 dólares, que obriga os seus dirigentes a fazerem “contas à vida”. De todos os dirigentes associativos que contactei ouvi queixas de muito trabalho árduo para manter os projectos de pé, dificuldades em encontrar gente para as direcções, e pior de tudo, algumas intrigas desnecessárias. A verdade é que as associações vão vivendo e mantendo muito vivas as nossas tradições. À semelhança da nossa época “taurina”, que começa a 1 de Maio e acaba a 15 de Outubro, a América também tem um Ciclo de Verão, que começa com o Memorial Day (na última segunda-feira de Maio) e termina no Labor Day (primeira segunda-feira de Setembro), este quando começam as aulas. Para terminar gostaria de dizer que gostei muito de ler o excelente artigo histórico intitulado “Os primeiros portugueses chegaram há 356 anos ao EUA”, de Eurico Mendes, inserido na página 23, do Portuguese Times, de 8 de Setembro de 2010, que desenvolve o título com muita e boa informação, onde se afirma que chegaram no dia 7 de Setembro de 1654. Para os historiadores parece-me ser ouro sobre azul… Afirmo parece-me porque não sou especialista no tema aí tratado. 28 de Setembro de 2010 POR TERRAS DA CALIFÓRNIA – 30 de Setembro de 2010 POR TERRAS DA CALIFÓRNIA Por Liduino Borba Depois de uma agradável e proveitosa estada na Costa Leste, entre os dias 1 e 10 de Setembro, segui neste dia rumo à Califórnia, onde iria permanecer até ao dia 21, para visitar familiares, amigos e conhecidos e apresentar os meus livros. À minha chegada estava, em São Francisco, o amigo Jerónimo Ponceano que me transportou até a casa do seu irmão João, onde começou a ser preparado um grande “banquete”, que o estômago teve dificuldade em levar. Com o João Ponceano, para além do agradável convívio, recordamos o nosso tempo de escola primária. Meu cunhado e meu sobrinho – Pedro e Anthony – depois de participarem no manjar, transportaram-me até Tulare, onde fiquei hospedado em casa deles, para, ainda antes, abraçar os familiares que me esperavam ansiosamente. O dia 11, sábado, foi destinado a uma visita a Gustine, guiada pelo incasável Joe Serpa, onde tive a oportunidade de ver de perto o ambiente ali criado, há muitos anos, para celebrar a devoção à Senhora dos Milagres. Gostei do que vi e da dimensão da festa, embora tenha sido informado que o número de presentes tem diminuído todos os anos. Mais uma vez, encontrei conhecidos e amigos, de lá e de cá, alguns que não via há cerca de 40 anos. Na terça-feira, dia 14, participei numa conversa com vários leitores meus na Padaria de Tulare, onde tem sido vendido o livro “64 – O Toiro das Mulheres”, entre outros. Foi mais um bom momento para falar e conhecer pessoas, algumas de família, há anos emigradas. Na quinta-feira, dia 16, segui rumo a Hilmar, na companhia do incansável cicerone Euclides Álvares e do improvisador da diáspora, Vital Marcelino, que me levaram a almoçar ao um Restaurante Galego, em Los Banos, na companhia do decano locutor da Rádio KIGS, Miguel Canto e Castro. Nesse dia, o jantar foi em casa do casal Álvares, tendo por convidados o casal Toledo. O jantar, e uma conversa com o visado, em casa deste, serviu para ser decidido que vou escrever um livro biográfico intitulado “Adelino Toledo”, que relatará alguns dos momentos altos do desafio por terras da nossa emigração. Este livro deverá ser o primeiro que uma colecção dedicada aos improvisadores. O dia seguinte foi destinado a dois acontecimentos importantes: uma visita a São Francisco; e uma noite de Fados e prova de vinhos. A primeira foi integrada numa viagem de trabalho àquela cidade, e que tive por companhia o Dr. António Borba, o Sr. Manuel Eduardo Vieira, o amigo Euclides Álvares e o Dr. Elmano Costa. O tempo, naquele dia, não estava dos melhores, com alguma chuva e nevoeiro, mas é sempre estimulante visitar e almoçar numa cidade cosmopolita como São Francisco, onde tudo é grande. Depois do regresso, foi tempo para a noite de Fados e prova de vinhos, organizada pela Fundação Portuguesa de Educação para o Centro da Califórnia, presidida por Sérgio Pereira, em casa dos Srs. Silveira. Aqui, foi o reencontro de amigos de muitos anos e a apresentação e venda dos meus livros. Esta minha presença nocturna fica a dever-se ao entusiasmo e iniciativa do Dr. Elmano Costa. Para o último dia da minha passagem por Hilmar, o sábado de manhã, dia 18, estava reservada uma inesquecível visita, na companhia de Adelino Toledo, à empresa A. V. Thomas Produce, sediada em Livingston, a maior produtora de batata doce do mundo, propriedade do Picoense Manuel Eduardo Vieira. É admirável toda a capacidade humana e industrial instalada por um açoriano numa empresa líder mundial no seu ramo. Depois do almoço com Adelino Toledo, parei nos estúdios da KIGS, em Hilmar, onde o produtor e locutor Euclides Álvares, Barbarense de gema, me entrevistou, em directo, para o seu programa “Voz dos Açores”. Seguiu-se o jantar com diversos amigos, entre eles José Ávila, do Jornal “Tribuna Portuguesa, Nelson Ponta Garça, do programa Contacto da RTP Internacional, Euclides Álvares, e os membros dos corpos sociais da Casa dos Açores de Hilmar, Vital Marcelino, Amaro e Roberto Vieira, antes de se dar início às cerimónias marcadas para aquela colectividade, que começaram com a apresentação de cumprimentos por parte da Sociedade Filarmónica Lira Açoriana de Livingston, presidida pelo meu amigo João Ponceano. Seguiu-se a apresentação dos meus livros, perante uma audiência atenta e curiosa, em que usaram da palavra Vital Marcelino, presidente da Casa dos Açores, Euclides Álvares, impulsionador do encontro, Dr. Elmano Costa, que fez uma brilhante apresentação das obras, e por fim chegou a minha vez de dirigir algumas palavras aos presentes. O serão continuou com o grupo de violas da associação, bons momentos de fado, modas regionais com as vozes inconfundíveis de Isalino, Carlos e Ana Teixeira, cantoria e Velhas. A cantoria teve a participação de Vital Marcelino, António Azevedo, Adelino Toledo, José Ribeiro e eu também participei empurrado pelos outros. As Velhas, que muito gosto, teve a minha participação, a de José Ribeiro e António Azevedo. A sessão finalizou com uma sessão de autógrafos e troca de impressões entre os presentes. Obrigado à Casa dos Açores de Hilmar por esta noite maravilhosa, passada entre gente da nossa. A viagem até Tulare durou cerca de duas horas, na companhia de familiares. Na segunda-feira, na companhia de Ana Ferreira, tive o privilégio de ver uma das grandes fabricas de tratamento de Pistáchio existentes na Califórnia, de nome NICHOLS FARMS, que exporta para todo o mundo. São notórios os elevados graus de controlo de entrada, higiene, segurança alimentar e pessoal, eficiência tecnológica, etc. Uma fábrica a sério, onde são tratadas anualmente milhares de toneladas do produto produzido por árvores plantadas em milhares de alqueires de terra. No dia 21, foi a despedida e a viagem até à realidade da vida na ilha Terceira de Jesus Cristo, onde cheguei pela manhã de quarta-feira, em voo directo Oakland/Terceira, de oito horas e meia, desta vez sem escala em Hamilton, no Canadá. Éramos apenas 40 passageiros num avião que transporta cerca de 300. Os almoços, jantares e conversas com familiares, amigos e conhecidos dominaram a maior parte da minha estada em terras da Califórnia. Por todos, e em todos os lugares, fui muito bem recebido e tratado. Para todos o meu muito obrigado pelos excelentes momentos que me fizeram viver. 30 de Setembro de 2010 “O REI DA BATATA DOCE” – 1 de Outubro de 2010 MANUEL EDUARDO VIEIRA “O REI DA BATATA DOCE” Por Liduino Borba Na minha passagem por Hilmar, Califórnia, tive o privilégio, no sábado, dia 18 de Setembro, de passar a manhã com Adelino Toledo a visitar a indústria agrícola A. V. Thomas Produce, fundada em 1960, sediada em 3900 Sultana Dr., Livingston, propriedade de Manuel Eduardo Vieira, que produz batata doce para toda a América, Canadá e Mexico. Esta indústria foi iniciada em 1960 por seu tio António Vieira Tomás, natural da freguesia de São João, ilha do Pico, daí o nome da empresa A.V.Thomas Produce . Em 1977, propôs a venda do negócio ao seu sobrinho Manuel Eduardo Vieira. A actividade estava instalada em edifício de 9.100 pés quadrados, em terreno de propriedade alheia, com o equipamento necessário ao seu funcionamento, e cerca de 80 alqueires de terreno com batata doce, pronta a extrair da terra. Manuel Eduardo Vieira é natural do lugar da Silveira, Ilha do Pico, onde nasceu em 1945. Emigrou para o Rio de Janeiro Brasil em 1962, contando 17 anos de idade. Estudou administração de empresas e contabilidade e casou com D. Laurinda Martins Vieira, de quem têm três filhos nascidos no Brasil: Ricardo, Márcia e Carlos. Em 1977, quando comprou o negócio ao tio, começou o plano de crescimento da indústria, que viria a transformar por completo, para, em 2010, ser o maior produtor mundial de batata doce biológica, com vendas anuais de cerca de 50.000.000 Kgs. A actividade é desenvolvida, na época alta por cerca de 850 trabalhadores, em cerca de 6.400 alqueires de terras, 13 armazéns com mais de 364 000 pés quadrados de superfície, toda a área de serviço e escritórios, dezenas de tractores equipados para os diversos fins, dezenas de empilhadores, linhas de tratamento, empacotamento, embalagem e carregamento, balança especial de pesagem de camiões com atrelado, que chega a efectuar perto duma centena de pesagens por dia, etc. Tudo foi pensado para uma produção em grande escala e a satisfação do cliente. Esta empresa é o terceiro maior empregador do Condado de Merced, a que pertence a cidade Livingston. A oferta ao mercado varia conforme o desejo deste, com vários tipos de produto diferenciado para cada micho. A última oferta, preparada em linha específica, altamente especializada, é a batata pronta para ir ao microondas e ser consumida de imediato. O ciclo desta indústria começa em Novembro com a preparação das terras, usando muito equipamento pesado, como os tractores. A etapa seguinte são os canteiros de plantio, onde é usada muita mão-de-obra e menos equipamento, por razões óbvias, mas com uma selecção rigorosa e científica das sementes a usar. A recolha e desbaste do plantio são feitos à mão. A plantação é realizada por máquinas próprias, atreladas a tractores, com 12 trabalhadores cada, que introduzem em 6 círculos rotativos o plantio, que, mecanicamente, abrem, aguam, plantam e fecham o rego. A tarefa seguinte é o tratamento e manutenção de forma que nos meses seguintes se proceda à sua extracção da terra. Antes, a rama é cortada mecanicamente e deixada sobre a terra. A extracção utilizada é altamente mecanizada, para que a batata passe por uma passadeira rolante, existente numa plataforma de trabalho ambulante, onde 8 trabalhadores, por plataforma, fazem a sua escolha e selecção, deixando na terra todas as batatas imperfeitas. Estas etapas ficam concluídas no fim de Outubro de cada ano. A grande dificuldade deste negócio é produzir batatas suficientes, numa parte do ano, para abastecer o mercado o ano todo, em condições de boa qualidade. Para isso, são usados grandes armazéns, com circulação permanente de ar, para que a batatas estejam em óptimas condições de servirem o cliente. São extraídas do terreno e acondicionadas até serem solicitadas pelos clientes. Durante todo o ano, com a encomenda dos clientes, as linhas de tratamento, limpeza, nova selecção, empacotamento, embalagem, acondicionamento, pesagem, escritório, etc., fazem sair os tais 50.000.000 kgs. de batata doce. A cidade de Livingston, condado de Merced, estado da Califórnia, pelo seu clima e terrenos arenosos é o local ideal para este produto, centrando-se aqui 95% da produção de batata doce do Estado da Califórnia. Manuel Eduardo Vieira não diversificou muito os seus investimentos centrando a sua actividade neste produto, para além de alguns investimentos financeiros. No entanto, na sua ilha do Pico, investiu no super mercado mais moderno do triângulo denominado LAJESHOPPING, localizado na Vila das Lajes do Pico. Homem de trato fácil, acessível, respeitado pelos amigos e respeitador, que atende qualquer chamada no seu telemóvel, tem sido um benemérito para diversas associações, quer na ilha do Pico, onde, pelo menos, deixa a grande obra do Salão do Centro Social, Cultural e Recreativo da Silveira, como na diáspora as contribuições como fundador e primeiro presidente da Sociedade Filarmónica Lira Açoriana de Livingston, Casa dos Açores de Hilmar e Igreja da Paroquia de Nossa Senhora da Assunção em Turlock, e muitas outras. Recentemente foi distinguido por Sua Excelência o Senhor Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva, com o Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, premio instituído pela Cotec - Portugal Foi este homem bom que tive o privilégio de me guiar na mostra da sua inovadora indústria e bonita casa. Que a vida lhe dê as recompensas que merece. 1 de Outubro de 2010 Cortes Orçamentais – 25 de Novembro de 2010 Cortes Orçamentais: Façam-nos, primeiro, no “Estado Político” Zé Ratim Gostaria de começar por me definir quanto ao sistema vigente em Portugal, dizendo que estou de acordo com as questões de ordem geral como a democracia, eleições, assembleias, governos, municípios, partidos, empresas públicas, etc. Não estou de acordo é com o tamanho de grande parte deles. Não quero voltar ao passado, era pior. Portugal, a Europa e o mundo vivem dias conturbados com a falada e sentida crise. Mas para além dos problemas provocados pelo sistema financeiro e bancário, os dois maiores têm a ver com os défices orçamentais e dívidas soberanas. Estes resumem-se a ter-se aumentado a despesa muito acima das nossas capacidades de criar receita, em impostos, para sustentar toda a máquina. Há que reduzir substancialmente o “Estado Político” em Portugal. Não temos capacidade para sustentar: - uma Assembleia da Republica com 230 deputados; - uma Assembleia Regional da Madeira com não sei quantos deputados (50?), para 300.000 almas; - uma Assembleia Regional dos Açores, com 57 deputados, para 240.000 pessoas; - um Governo da República que tem sempre 62 ou 63 ministros e secretários de estado, seja de que cor for; - um Governo Regional da Madeira com secretários regionais a mais; - um Governo Regional dos Açores com 6 secretários ou sub-secretários; - empresas públicas e institutos que têm na sua gestão Conselhos de Administração que, para além de excessivos, recebem salários e regalias de duvidosa justificação; - as Subvenções Partidárias (vergonha nacional), entregues aos partidos com representação parlamentar, que atingem os milhões de euros saídos do erário público; - a dimensão administrativa do país com freguesias e municípios a mais; As empresas municipais também têm muito que se lhe diga. Mas não podemos esquecer, entre outras coisas, que o lixo produzido há 20 anos não tem nada a ver com o de hoje. A dimensão administrativa do país e as empresas municipais têm sido faladas pelos nossos políticos, com a intenção de redução, mas sobre todo o “Estado Político” criado e usufruído por eles nem uma palavra. As Assembleias da República e Regionais têm de ser muito menores. Os Governos da República e Regionais reduzidos para metade. Os conselhos de Administração das Empresas Públicas e Institutos reduzidos nos seus tamanhos e salários. Nenhum empregado público deve ganhar mais que o Presidente da República. As Subvenções Partidárias devem acabar e os partidos autosustentarem-se como qualquer associação. Reduzir o número de freguesias e concelhos, em vez de aumentar. É este “Estado Político” que ninguém fala, criado por quem nos governa, que come uma grande parte dos nossos impostos. Resolvam esta realidade, se tiverem coragem, e depois venham falar do “Estado Social” que também, se calhar, é necessário reduzir. Razões para não mexer nele são mais que muitas, mas as soluções são poucas e isto vai piorar… 25 de Novembro de 2010 Escritos Não Publicados
A AGÊNCIA
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